Devemos ser minimamente felizes?

Algumas coisas surgem como novidade, mas já nascem velhas demais. As pessoas que vivem no interior do Brasil, por exemplo sabem muito bem o que é o minimalismo. Claro que não devemos confundir pobreza com minimalismo. Esse conceito parece estar mais ligado ao fato de que muitas pessoas se veem perdidas em meio ao consumo. Em suas casas não é difícil encontrar algo que não tenha mais utilidade.

Qual a diferença entre aqueles que estão acostumados a viver com muito pouco e aqueles que precisam urgentemente se livrar de tudo inclusive empregos que não lhes traz nenhum benefício pra saúde causando a sensação de que só vivemos pra trabalhar, pagar contas e consumir.

O Brasil sabe como lidar com essa situação, pelo menos parece. Será que o morador interiorano se sente bem com sua situação de miséria? Será que trabalhar e ter condições materiais de viver bem é algo ruim? Em parte não. Ganhar dinheiro com o trabalho é algo que dá sentido a nossa vida e o problema é que quando percebemos que a matéria se sobrepôs a nossa própria vida já é muito tarde. Então, um trabalho de reorganização material deve ser iniciado pelas coisas que não fazem sentido ter. Objetos, empregos e até mesmo pessoas devem ser retiradas de nossas vidas.

A pobreza e a miséria não são condições dignas de vida pra ninguém, mas viver sufocado de coisas inúteis também mostra certa falta rumo no sentido de dar um sentido mais sustentável pra renda que se ganha com o trabalho. Tanto faz se é o tal miserabilismo, ou o minimalismo, o importante é uma vida saudável e sustentável vivendo bem com pouco recurso material que não significaria necessariamente viver na pobreza.

O importante é sermos felizes com o que temos. O senso comum acredita sempre que o que se tem é pouco e que é preciso ser muito rico financeiramente pra ter tudo o que se precisa pra ser feliz.

A autora do blogue Fêliz com a vida diz,

Minimalismo é muito mais do que um estilo de vida ou uma preferência estética. É uma ferramenta que pode ajudar a todos aqueles que estiverem dispostos a se livrar dos excessos em favor de se concentrarem no que é importante para encontrar a felicidade, realização pessoal e, principalmente, liberdade.

É estranho porque “ter” significa possuir emprego, trabalho, coisas que dignificam o indivíduo, mas pra isso seria preciso pagar o preço de sofrer com empregos estressantes, trânsito, dívidas, exemplificando apenas alguns fatores de desequilíbrio entre corpo e mente. As vezes o que mais vale a pena possuir são aquelas coisas que nos fazem realmente felizes. Como sempre a felicidade está dentro de nós e no que amamos e não fora de nós, nos outros ou em outros. Devemos deixar que a felicidade possua a gente e não o contrário.

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Passarinhando o tempo

Sempre gosto de ler posts antigos de meus blogs deletados. Sempre costumo salvar tudo antes de deletá-los. A pequena história a seguir fiz pensando no desenho Hora de Aventura e, eu (Rômulo) me coloquei como personagem. Achei que ficou legal e engraçado.

*Postado no blog (desativado) skrautskrift (significa “caligrafia” em islandês) em 07/02/2016.

Que fala das aventuras de Rômulo e seus amigos Jake, Finn, Marceline, Princesa Jujuba, Rei Gelado, BMO, Bart Simpson, Eric Clapton em um dia normal enquanto observam um pássaro com atitudes muito suspeitas. 

Era uma manhã normal num bairro afastado do Centro do Rio de Janeiro.

6:00 da manhã

Rômulo: Ahhhhiii, que manhã ensolarada. (Rômulo fala enquanto se espreguiça lentamente na cama dando um bocejo demorado.)

Jake: E aí, Rômulo, sai dessa cama, vamos curtir tudo que há pra viver, vamos nos permitir, cara. (Jake surge no quarto de Rômulo falando como se estivesse quase querendo começar a cantar uma música do Lulu Santos.)

Rômulo: Ai, não Jake, acabei de acordar, não começa com Lulu Santos não, por favor.

Jake: Ué, Rômulo você leu as descrições, é?

Rômulo: Li.

Jake: acho melhor mandar parar, né?

Rômulo: É! Nada de descrição.

(Bem leitores, como eles não querem mais descrições, imaginem a cena vocês mesmos, vou aproveitar e curtir o carnaval, fui; au revoir, pessoal.)

Jake: E aí, que é que manda pra hoje?

Rômulo: Sei lá. Acho que vou passar o dia todo sem fazer absolut vodka.

Jake: Essa foi boa Rômulo, mas então vamos fazer o seguinte: chama o Eric.

Rômulo: Alô, Eric, aqui é o Rômulo, você já tá vindo, cara?

Eric Clapton: Sim, mas tem um problema de última hora; eu perdi minha bagagem e tô sem guitarra, tudo bem?

Rômulo: Tá, ok. O importante é a sua presença.

Eric Clapton: Falou! A ra ri lara la, layla, layla.

Rômulo: Jake, ele já tá chegando!

Jake: Rômulo, você viu onde está o mel pra passar no pão quentinho, adoro pão quentinho com mel e um café com leite, humm, delícia, sabe.

Rômulo: Jake, saca só o que tem ali do lado de fora pendurado no fio de alta tensão.

Jake: Parece que é um pássaro. Um black bird, meu irmão. E daí.

Rômulo: Nada. Só achei maneiro. Não é irado?

Jake: Eu não vejo nada de mais nisso.

Finn: Ué, Jake, você não sabia que os pássaros são muito medrosos?

Jake: E por que?

Finn: Por causa dos muleques como Bart Simpson. Eles pegam os seus estilingues e acertam pedras nos pobrezinhos.

Jake: Uau, que manero, vamos brincar disso também?

Finn: Não Jake, isso é errado.

Jake: Ah, sei, é que nem quando a gente tá na escola e tem aqueles caras querendo o dinheiro do nosso lanche, sabe como é, né.

Finn: É, mais ou menos isso.

Lisa Simpson: Alguém aí viu meu tubo de ensaio que vou usar hoje na aula de química.

Jake: Tá ali com o Rômulo, ele tá tomando café nele, ah, ah.

Rômulo: Então isso aqui não é um copo?

Lisa Simpson: Ahh, deixa pra lá.

Bart Simpson: E aí, otários; que que tem pra comer que eu tô com fome?

Finn: Segurem ele.

Bart Simpson: Hei, me solta.

Finn: Peguei o estilingue. Agora isso é meu.

Bart Simpson: Não tem problema; eu atiro com a mão, ah, ah, ah.

Rômulo: Vejam: chegou outro pássaro igual.

Jake: O que será que eles estão fazendo?

Rômulo: Olha só! O outro passarinho que chegou e o que já estava ali estão esfregando o bico um do outro.

Finn: Acho que eles estão namorando. Vi isso num filme uma vez. Toda vez que eles tocam nos bicos um do outro acontece um fenômeno mágico e de repente surge um ovo dourado, de prata.

Rômulo: Até a parte que você falou ovo dourado pensei que você fosse terminar dizendo ovo de ouro.

Finn: Pois é né, não é legal.

Jake: É a história mais absurda que eu já ouvi na minha vida.

9:45 da manhã

Jake: Caramba Rômulo, tá começando a ficar quente aqui fora. Vamos todo mundo pra debaixo daquela árvore.

Rômulo: Qual tipo de pássaro será esse esse?

Jake: Ih, olha lá, ele vai voar.

Rômulo: Ah, pelo voo dele dá pra ver que é um beija-flor.

Finn: Vamos perguntar mais para o BMO.

BMO: Sem problemas:

beija-flor, também conhecido como colibricuitelochupa-florpica-florchupa-melbingaguanambiguinumbiguainumbi,guanumbi[1] e mainoĩ[2] , é uma ave da família Trochilidae e inclui 108 gêneros. Existem 322 espécies conhecidas. No Brasil, alguns gêneros recebem outros nomes, como os rabos-brancos do gênero Phaethornis ou os bicos-retos do gênero Heliomaster. No sistema classificativo de Sibley & Ahlquist, a família Trochilidae integrava uma ordem própria, a Trochiliformes. Entre as características distintivas do grupo, contam-se o bico alongado, a alimentação à base de néctar, oito pares de costelas, catorze a quinze vértebras cervicais, plumagem iridescente e uma língua extensível e bifurcada.

O grupo é originário das Américas e ocorre desde o Alasca à Terra do Fogo. A maioria das espécies é tropical e subtropical e vive entre as latitudes 10ºN e 25ºS. A maior biodiversidade do grupo encontra-se no Brasil e no Equador, que contam com cerca de metade das espécies conhecidas de beija-flor. Os troquilídeos estão ausentes do Velho Mundo, onde o seu nicho ecológico é preenchido pela família Nectariniidae (Passeriformes).

Finn: Mandou bem, BMO.

BMO: Ah, que nada, eu só pesquisei na internet e achei isso na wikipédia.

Bart Simpson: Rômulo, o Eric Clapton chegou.

Eric Clapton: Rômulo, perdi toda minha bagagem, mas achei essa caixinha de fósforo pra gente batucar um pagodim, sabe?

Rômulo: Esquenta não Eric, o Jake pode se transformar numa Gibson, se você preferir.

Eric Clapton: Então tá.

12:30 da tarde

Jake: Né por nada não gente, mais a minha barriga tá começando a gritar.

Rômulo: Gente, vamos montar o tapete pro pique nique.

Jake: Eu posso me transformar em tapete enquanto eu como?

Finn: Não jake, a comida é pra todo mundo.

BMO: Oi, Marceline.

Marceline: Ahh, que fome, acho que vou cantar essa canção; vai na rua pega um rango e come; mastigando de montão; tudo isso só porque eu tô com fome; e cantar me deixa com mais fome; acho que eu comeria um dinossauro, uh, uh, uh; ou então, me contentaria em morder aquele pássaro, passaruh ,uh, uh, pássaruhhh.

Finn: Gente, segura a Marceline, ela quer pegar o beija-flor.

Jake: Peguei! Tá presinha, presinha.

Marceline: Me solta, seu monte de massa amarela. Arrrgh.

Rei Gelado: Princesaaa, Jujubaaa, minha linda, Princesa, Jujuba.

Princesa Caroço: Caroço-aranha, caroço-aranha, muito caroço e nada de aranha.

Rei Gelado: Credo, que música horrível, tome isso.

Rômulo: Todos nós te agradecemos, por nos livrar da temível cantoria da Princesa Caroço, Rei Gelado.

Rei Gelado: Ora, Rômulo, não foi nada, eu tava de saco cheio da voz dela também.

Rei Gelado: Alguém aí quer um sorvete? Eu tenho de chocolate e de morango. Se quiserem calda de chocolate ou de morango é só pedir. E se quiserem morango ou chocolate eu também tenho. É só pedir. Também tenho morango com chocolate, he, he.

16:55 da tarde

Princesa Jujuba: Gente, eu fiz uma descoberta sobre uns pássaros. Eles são chamados de beija-flor. Segundo as minhas pesquisas …

Rômulo: Ei gente, olha lá, o beija-flor está voando de novo. Mas porque ele não sai do lugar. Ele parece estar tão sem fôlego, meio abatido.

Princesa Jujuba: Rômulo, é sobre isso que eu vim falar com vocês. O beija-flor …

Eric Clapton: Saberia meu nome, se o visse aqui no paraíso? … 

Enfim, a tarde caía enquanto todos cantavam …

Então …

Jake: Rômulo, você está bem? É por causa daquela garota, né?

Rômulo: Acho que sim. Ela desapareceu sem deixar vestígio, fico pensando se foi algo que fiz, sabe, as vezes as pessoas e até mesmo nós esperamos atitudes de todo mundo, talvez eu a tenha decepcionado de alguma maneira …

Jake: Eu sei como é isso, cara. Você precisa de um tempo, né? Eu sei bem como é isso, passei por umas situações assim antes de conhecer a Lady Arco-iris.

Eric Clapton: Rômulo, o amor pertence ao paraíso. Se eu pudesse alcançar as estrelas traria tudo de bom para o mundo.

Rômulo: Eu sei, acho que tudo vai ficar bem, só não queria que ela desaparecesse.

18:14 da noite

Os beija-flores continuam em pé no fio de energia elétrica. Todos continuam observando e cantando ao som das músicas de Marceline e Eric Clapton.

Um vento macio, suave e leve, porém, volumoso, afaga cada um como se estivesse participando desse momento de união. A noite cai e a esperança continua no pensamento e coração de cada um deles. A vida é uma das coisas entre o céu e a terra. O amor é a chave que desvela esse mistério contido em nós.

Pedidos músicais

Princesa Jujuba: Gente, eu adoro Dream a little dream of me do Louis Armstrong.

 

Jake: Eu quero  ouvir a sexta pastoral de Beethoven, adoro relaxar por aí, ouvindo essa música.

 

Rômulo: Eu queria Tropicália e “geléia pra geral”, he, he.

 

Bart Simpson: E eu quero pedir a música do cara dançando.

 

BMO: Oba, agora é minha vez de pedir uma música. Eu quero ouvir a música do Sébastien Tellier, Aller vers le soleil.

 

Beija-flor: Eu também quero a música do Natiruts, Presente de um Beija-flor.

 

Rei Gelado: Eu queria pedir a música Turn back time, por favor, da Aqua.

 

Finn: Eu quero a música da M.IA.

 

Eric Clapton: Imagine …

 

Princesa Caroço: Gente, eu sou muito romântica e eu gosto da música Hunting girl, do Jethro Tull.

Discos de papel

O que há com o mundo hoje dia? Por que será que quanto mais tecnologia, mais desinteressante se tornam os objetos criados através dela? Quanto tempo vai demorar pra descobrirem que tudo não passa de “um museu de grandes novidades” como Cazuza cantava.

O museu das grandes novidades derrotou o disco de vinil e tornou um objeto tão interessante pra colocar outro que na verdade nem existe como o caso do itunes. Comprar uma única música ou várias é bem diferente de perceber todo o trabalho de um disco físico bem produzido. Claro que não falo do formato dos CDs, mas do vinil. Insubstituível, acredito que é possível perceber detalhes que só o som do  também chamado LP (Long Play) proporciona.

Como exemplo darei que o som de um violão é bem diferente do de um produzido por um sintetizador. A voz humana também é um instrumento e percebemos que ainda não inventaram nada melhor, no caso daqueles que cantam bem, do que a nossa voz natural.

Então, observo a Bienal do Livro num país que está no ranking “negativo”, ou melhor  (pior) dizendo num país que está entre os últimos na ranking da educação. Brasileiro lê? Brasileiro na verdade consome. E paga caro por livros ruins. Como tudo que evoluiu com a tecnologia, o livro se tornou um objeto produzido com o que a tecnologia atual pode oferecer de melhor, mas o conteúdo, os escritores, a grande quantidade de editoras que existe atualmente não nos permite nem o folego necessário pra assimilarmos tanta informação pra podermos dar algum tipo de avaliação.

O disco de vinil permitia quase uma aproximação física com os fãs. O formato digital de uma música não permite nada, apenas que você possa pagar. Comprar um livro indo numa bienal não é tão diferente de irmos numa livraria dessas qualquer e você poderia até mesmo se enganar ao entrar pra fazer um lanche pensando ter entrado numa rede de fast food famosa quando na verdade você entrou numa livraria, pois são tão parecidas as fachadas de tais lugares que as cores e logotipos mudam pouquíssimo.

Dependendo do horário que vamos na Bienal do Livro como a que acaba de acontecer nessa semana aqui no Rio de Janeiro, podemos encontrar com o nosso autor preferido após enfrentar suave fila. Enquanto isso, no YouTube (que mudou também um pouco o seu logotipo nessa semana), assisto ao vídeo de uma simpática “booktuber” falando dos livros que as editoras enviam pra ela. A quantidade enorme de livros que vi as editoras enviarem não só pra ela, mas pra vários outros youtubers é incrível, “eu também quero”, disse surpreendido com o que vi. Queria saber como faço pra receber essas coisas.

Então só pra resumir, fico com a impressão de que se eu for numa dessas livrarias vou poder estar comprando um livro que alguém recebeu em casa enviado pela própria editora e, muitas vezes com alguns brindes que não ganhamos quando compramos numa livraria física. Esse mundo é estranho mesmo. Muito engraçado, mas não. A seguir deixo um vídeo, pelo menos é grátis a vitrine. Observação: não tenho nada contra a YouTuber do vídeo, deixo o vídeo apenas como exemplo recente, pelo menos pra exemplificar a questão dos livros; adoro o canal dela e de outros que também assisto.

Só pra terminar, no caso dos discos de vinil, vale lembrar que nesse mês irá acontecer aqui no Rio de Janeiro o Rock in Rio, deixo essa informação só pra lembrar quem quiser ir ou quem sabe ter um show enviado gratuitamente por alguém pra sua casa, já pensou que legal?

 

 

A sugestão como personagem

Por acaso criei uma pequena história partindo de uma imagem. A história ou conto, não  sei como poderia chamar o texto, pode ser lido aqui. Pedi para que os leitores do blog sugerissem uma continuidade para história. A Elaine Reis, do blog curioosamente deu a seguinte sugestão:

Imaginei Melinda com seus cabelos coloridos e tatuagens e piercings e acredito, com certeza, que só melhoraria o contexto se ela tivesse na bolsa livros de Beauvoir e Virgínia e Angela Davis e todas as feministas maravilhooooosas, afinal e pelo visto, essa tal bolsa de que vc gostou tanto, juntamente com o boné, te ajudarão em algumas aventuras. Sem falar que o protagonista sendo um homem feminista, provavelmente, seria um indicativo de alguém que compreende algumas bandeiras de luta e que estaria se esforçando pra ser alguém melhor e fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Lerei os próximos capítulos, rsrsrsrs… Abraço

Então baixei o livro de Angela Davis, Mulheres, raça e classe e também Jane Austen, Razão e sensibilidade e Virginia Woolf, Mrs Dalloway, para tentar compreender o que são os fenômenos femininos que acontecem no mundo atual, mas entendendo também que se trata de um fato histórico.

Enfim vou ler dessas três autoras e tentar criar uma forma de escrever que una a forma de personagens, escrita e expressão para conseguir dizer o que foi proposto pela Elaine. Não tenho nenhum para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Para mim é como ter várias vozes, várias mulheres, várias autoras e antes de tudo, seres humanos. Então continuo meu pedido deixem seus comentários, vou adorar!

No caso da sugestão da Elaine, não percebi detalhes sobre o que ela imaginou. Quero dizer que a imaginação dela criou algo ou interpretou algo que não disse explicitamente, mas ela assim entendeu. Isso é legal e me ajuda a perceber e ver como os leitores percebem um texto criado por nós. É uma brincadeira divertida participar da criação de um texto numa postura ativa e não meramente consumir o texto de um livro pronto.

O título do texto “Melinda” é ainda provisório e faz parte de um plano determinado que tenho para continuidade da história da mesma forma que a imagem das bolsas são fundamentais para o enredo e prosseguimento do texto, e, o fato de muitas pessoas fazerem sugestões para essa história não me deixaria perdido tentando agradar só a uma ou outra pessoa que deixou sua sugestão.

Como vou poder estar te ajudando?

Olá galera, tudo beleza, tudo certinho e misturado? Apresento hoje a ilustradora lovelove6, autora da Garota siririca. Eu ri muito, vi na hora que tinha que falar dessa ilustradora. A encontrei nesse hilariante post do blog Armazém de cultura. Abaixo um trecho da entrevista feita com ela no blog:

Armazém de Cultura: Mesmo que desenhando desde pequena, você começou de fato a fazer quadrinhos em 2013, certo? Poderia contar melhor sobre como surgiu essa necessidade de botar o seu trabalho no mundo?

Lovelove6: Em 2013 eu estava bastante deprimida, ostracizada pela galera com quem eu andava na época e muito silenciada por um ex-companheiro. Como eu me sentia bastante isolada e desamparada, comecei a publicar alguns quadrinhos em formato de zine, como uma forma de registrar e materializar meus verdadeiros sentimentos e perspectiva no mundo, não deixar ninguém falar por mim.

Pois é pessoal, arte é o que é arte. Ela é o prazer que sentimos quando a contemplamos. Põe nosso mundo perfeito em questão e deixa todas nossas certezas em dúvida. Arte é sempre uma busca pelo mistério do mundo aliado as descobertas feitas pela humanidade.

Cada artista possui sua descoberta e contribui para que todos que contemplem sua arte produza a sua própria arte. É como um trabalho de inter-textualização, um texto se referindo a outro texto e, na arte, uma descoberta, uma procura, um prazer, uma …siririca se sobrepondo a várias outras interpretações e possibilidades de criação artística. (observação: eu nunca estudei arte, nem li nada a respeito, por isso não sei se falei muita bobagem.)

E essa “tirinha” acima? O que pensar sobre essa entrevista? Ser livre deve ser entendido só pela possibilidade de escolha ou só pela liberdade e prazer que essa escolha possibilita viver?

A arte é um problema de todos e que “dura” para a eternidade.

Na tira a seguir não seria o capitalismo nos tirando a possibilidade de nós mesmos nos consumirmos no nosso próprio prazer ou será que até nisso tentaria nos consumir?

#73

E aí, o que acharam? Ou como dizem no telemarketing “como vou poder estar te ajudando?”

Mensagens do momento

Continuando pelo mundo ilustrado apresento Fernanda Fernandez que vi numa postagem desse blog aqui.

Fernanda Fernandez começou a ilustrar num momento difícil de sua vida como ela diz no trecho de entrevista transcrito abaixo:

Fernanda Fernandez vive em Niterói e é estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFRJ. Ela desenha desde criança, mas foi em 2013, após um acidente que a deixou paraplégica, que o rumo de sua arte mudou: como meio de recuperar os movimentos das mãos, começou a dedicar-se a representar coisas diferentes no desenho. E foi neste momento de sua vida que começou a retratar o feminino, evidenciando a força e a delicadeza de ser mulher, sempre com mensagens de empoderamento e amor próprio. “Acho que a arte tem sido uma forma de passar as mensagens que gostaria que todos ouvissem, e que eu gostaria de repetir pra mim mesma também. Gosto de transmitir mensagens confortantes, positividade, calmaria.”

Começou a produzir através de lápis de cor e nanquim, mas atualmente seu instrumento é a ilustração digital -sua nova paixão. Fazendo encomendas personalizadas, compartilha suas ilustras.

Sobre a ilustração abaixo, o que poderia dizer sobre “as noites mais escuras”? Acho que noites escuras remetem aos nossos momentos de reflexão, quando não estamos ligados com o mundo exterior, mas conectados com um mundo misterioso e ainda desconhecido dentro de nós. Seria um daqueles momentos em que muitos se perguntam “quem eu sou”? Ou, poderia dizer de outra forma: as nossas descobertas mais intensas estariam naqueles momentos em que encontramos nossas maiores estrelas.

“Somos feitos de poeira de estrelas…” (Carl Sagan) ✨ #7diascolorafro 💚 Fotografia: @zavierdeangelo 📷 + em www.instagram.com/mftfernandez

Que coisas poderiam dar significado a palavra lindas? Muitas, penso. Muitas coisas podem dar lindas palavras, mas apenas uma palavra torna todas as outras coisas lindas, o amor. Se tudo o que é lindo estiver no amor, eu quero!

As coisas são mais lindas…Porque você está 🌷♡ #diadosnamorados

Já que a música da o tom da cor da canção: “Quando a gente se ama é claro que a gente se cuida!”

Fica bem mais simples 💙 ☺ . Inspirações que amamos: versos de @vibesverao e fotografia da linda @fluvialacerda 🌷 #artwork #plussize #illustration

Refletir é um ato de amor pra encontrarmos nossa paz interior. Amar é o maior dos lembretes.

Hello 2017 💐✨ Vamo seguir esse mantra hoje e sempre? Vamo! 🌻♡ . #illustration#art#digitalpainting

Sei que as ilustrações são de temática feminina, mas deixo aqui uma do meu signo ascendente …

Lema: Sua intuição vive a mergulhar nas suas emoções transbordantes de mundos incríveis. Sonha e sofre, mas vive feliz. 

Por último, mas não menos especial, esse - meu ❤ - signo, que tantas vezes duvidei que fosse meu (haha): Peixes ♓✨ Nessas última semanas pude aprender um pouco desse universo astrológico, e entender coisas nas quais nunca acreditei… Aprendi que...

… e uma do meu signo.

Lema: Não há razão maior do que a emoção. Sua sensibilidade para aperfeiçoar detalhes e uma vontade irresistível de servir e cuidar do próximo é a tarefa principal de sua vida.

Dos detalhes que não passam desapercebidos: Virginianas ♍♡ #signoilustrado

E tem dos outros signos também no blog dela, Fernanda Fernandez.

E aí pessoal, gostaram? Abração pra todos vocês!

O que sinto, ilustro

Navegando pelos mares blogosféricos encontrei uma coisa que sempre gostei, ilustrações! Acho que alguns de vocês aqui do fanzine marginal já me conhecem de outros blogs como o teorema dos sonhos e aquarela dos sonhos, atualmente deletados. Nesses blogs que mencionei, falava sobre as ilustrações de vários artistas brasileiros e internacionais, além de falar de obras de pintores famosos como Wassily Kandinsky, Paul Klee, Pablo Picasso, Salvador Dali, Cândido Portinari e muitos outros. Gosto sempre de ressaltar que os que mais gosto são Kandinsky e Klee e, atualmente Dali, por causa da “luz” em suas obras.

Hoje vou falar sobre algumas ilustrações de Jéssica Gabrielle Lima. O que faço é bem simples: pego uma ilustração e vou falando o que me der na telha. Aliás, acabo de lembrar que tenho os posts antigos dos blogs que falei, depois eu faço um post pra eles. Então, vamos ver se consigo?

A imagem abaixo tirei do blog que fez entrevista com a própria autora. Quando vi, adorei. Falei, po@#a, acho que vou falar sobre essas ilustrações!

Na ilustração logo aí embaixo, percebo um elemento característico da ilustradora que são as linhas. Na maioria das ilustrações dela surgem linhas como se num instante as imagens quisessem se transformar em palavras e, nas imagens com pequenos textos, a poesia do que parece querer virar música. Reparem, na imagem, o que vocês podem ver entre “eu” e “você”? Não é praticamente uma clave de sol? Não é por acaso que esse símbolo musical se chama clave feminina? Porquê se chama também clave feminina? Talvez porque seja a música.

As imagens, palavras e sons não cabem no papel. Os sentimentos são representados na imagem abaixo como transbordantes de sentimentos que se transformaram em arte. A ilustradora criou uma linguagem que ultrapassa o sofisticado e, na singeleza de sua concepção de unir texto e imagem, emociona tanto pelo aspecto visual, quanto pelo textual.

jéssica g lima 6

Abaixo uma pequena tirinha que apesar de parecer redundante denominá-la assim, ela é grande como toda saudade. Acho que dá pra ler, apesar do texto estar pequeno.

Retrata bem o oceano que há entre a saudade que a lembrança ilumina como farol e a dor que ela causa em nós. O que seria maior: as saudades ou as distâncias? Superar a dor talvez seja um caminho que devemos percorrer …

tirinha minha e da Natália Maia. - coletivo ARMININA -

A palavra ânsia surge pra mim no neologismo “substância” como algo que lembrasse muito mais angustia do que ânsia. A substância materializada na forma de uma nova palavra representaria a materialização do que seria a ânsia: a angústia que se traz no coração, ferido por uma flecha e que posso chutar um palpite de que se trata de ferida de amor.

Calma coração, não se enjoe do amor nem tenha pressa por conseguir um. Ele, o amor, move feridas como a fé, as montanhas.

capa e página de [eu não me movo de mim], zine meu e do Elvis Freire. 2015.

Sabem daquelas coisas que nunca contamos? Na arte podemos dizê-las e assim, entregamos ao mundo coisa ainda maior.

capa e página de [eu não me movo de mim], zine meu e do Elvis Freire. 2015.

E a intuição? As vezes a chuva vem de dentro pra fora trazendo nossa tempestade interior. Sublime e inevitável como os fenômenos naturais e mesmo que seja qual for a motivação, saibamos valorizar as lágrimas do exterior como também, com sabedoria, aprendermos com o sofrimento interior.

maio/2014 carta #03: T. que segura minha mão, me estapeia a cara e diz que a vida é mais do que a gente acha que é.

Tem lugares que só nós sabemos onde bate aquela brisa. Esse é um lugar só nosso.

série de cartas carta #4: G. que me conhece pelo avesso e me ama mesmo assim.

E aí pessoal, o que vocês acharam? O texto normal fala do aspecto visual e todos os textos em itálico são pequenas reflexões que faço, ou seja lá o que for, sobre as ilustrações. Falei muita bobagem? Comentem! Muito obrigado a todos que leram até aqui e abraços!!!