Tela musical

Certamente a poesia e a música se misturam. A linguagem, tendo inicialmente surgido na forma de sons que fizessem sentido ao longo do tempo foi se estabelecendo como idioma. O idioma se transformou numa língua, e essa língua pertencia a um grupo de pessoas que entendiam e se identificavam.

Com o passar dos séculos muitas línguas e identidades culturais foram formadas. Trovadores cantavam, mas todos viam que os idiomas o outro povo falava era diferente e era preciso a tradução para que se estabelecesse a comunicação.

Paul Klee fazia o impossível unindo dois domínios da arte como pintura e a música dando um aspecto universal e improvável na maneira de comunicar a arte de pensar o mundo em cores, em formas geométricas ou simplesmente pensar por pensar, enfim, pensar.

Imagem: Paul KLee, pintor e poeta suiço naturalizado alemão. (Fonte da imagem: Wikipédia)

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Imagem: obra de Paul Klee, Poster Branco emoldurado polifonicamente. Fonte da imagem: Posterlounge.co.uk

Muito mais do que contemplar uma obra antes de tudo ela nos leva ao mais profundo pensamento. O visual balança e destrói as estruturas do nosso subconsciente nos induzindo a uma série de informações tiradas de nós mesmos e que nem sabíamos que estava lá, mas estava. A música colorida nos leva aos oníricos mundos dos devaneios onde retas e círculos dançam e nos encantam e são personificados em objetos do mundo real, do mundo que criamos ao olhar, ao ouvirmos uma obra de Klee. Certamente poderíamos chamá-lo de músico das cores. Maestro que coloca forma musical em cores e formas que podem representar a engrenagem do ser humano no que ele possui de mais universal, que é o sentimento e sensibilidade para transformar o mundo com o próprio sentimento, sentimentos em ideias, ideias em sons, sons em cores. Nossos sentimentos são uma verdadeira sinfonia de cores e sons.

Talvez Rainer Maria Rilke em Carta sobre Paul Klee, poderia querer ter dito que um poeta e um pintor sabem tocar um instrumento chamado sensibilidade. Quando isso acontece o virtuose das letras assim está formado também como para o talentoso artista das artes visuais que ao criar arte, também está sendo criado, mas certamente numa outra arte.

Imagem: Rainer Maria Rilke, poeta austríaco de língua alemã. (Fonte da imagem: Wikipédia)

Naquele tempo eu já tinha adivinhado que seu desenho muitas vezes era transcrição de
música. Ou melhor, naquele período, inclusive sem ele ter dito que sempre tocava violino,
infatigavelmente, tinha adivinhado essa transcrição da música. Para mim, esse é o ponto mais
desconcertante da sua existência de artista; pois, se a música de fato oferece ao traço do lápis
uma base de necessidades que valem tanto num campo quanto no outro, em todo caso não
consigo observar sem algum abalo esse tipo de conivência das artes, dando as costas para a
natureza: como se um dia devêssemos sofrer um assalto do inferno e nos encontrarmos
espantosamente indefesos. (Trecho de Carta sobre Paul Klee, de Rainer Maria Rilke.)

 

 

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2 comentários em “Tela musical

  1. “Certamente a poesia e a música se misturam…” Esse é o meu lema. Se criarmos uma melodia para uma poesia, ela simplesmente irá se tornar uma canção. É isso que eu tenho aprendido com Deus. Poesia e música são duas artes que se tornam uma. Parabéns pelo texto e pelo blog!!!

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