Decifrando descobertas

Queria saber a forma … Queria saber … Queria apenas saber… Qual forma certa e necessária seria a da verdadeira clareza que quando se diz se entende tudo? Queria saber a forma e dizê-las.

Tudo está dito porque está dentro de nós. A expressão necessária é que talvez deva ser criada. Imagine se o céu se chamasse mar e o mar fosse conhecido como chão. Todos andariam no mar da mesma forma que pairassem no ar de seus devaneios cotidianos.

E o amor? Qual poderia ser o possível ou impossível outro nome do amor? Se amor se chamasse ódio? O ódio seria almejado por todos? E se as pedras fossem chamadas de amor? E se quando alguém encontrasse um amor jogado no chão como um mistério abandonado nas ruas e nas praças? Isso seria um amor ou uma pedra no caminho? Poderia dizer que seria um pedraço de mal caminho? E qual caminho se caminharia bem? E se para caminho o nome fosse perdição? Será que todos iriam querer andar por uma perdição de tijolos amarelos? E se as estradas se chamassem lágrimas? Será que todo mundo não mais passariam a caminhar por elas na vida?

Me pergunto sempre quais são os mistérios das casas … Quais pessoas moram nelas e que seres estariam ali a fazer qualquer coisa … Me pergunto quais seriam os mistérios das ruas … quais pessoas moram nelas e que seres estariam ali a não fazer nenhuma coisa, pois por elas ninguém também faz, ou fizeram? ou fariam?

Me pergunto se posso me perguntar … isto é, se existe a possibilidade de me perguntar e de me responder. Se puder fazer isso tudo provavelmente estaria dentro de mim. Qual é o mistério?  O mistério é uma descoberta desmistificada. O mistério deixa de ser um enigma quando ele surge. Com o tempo, quanto mais inquietante nos deixa, mais ele passa a se tornar um sonho e, o sonho, realidade.

Seria um rio um poema? Lembre que os rios são as veias da terra! E os homens? O sal? Então onde estaria o mar? Quê significaria mar?

Meu amor
sua mão
na minha
são asas
como as das andorinhas
a voarem pelo céu
quando fel
a vida dá
para nós
só a voz
azul
da imensa
clara
luz
do nosso abraço
nos faz sentir
o paraíso
à que ele nos conduz.

Me pergunto … mas é como se me respondesse e não houvesse resposta ao mesmo tempo … Reticências … Reto, sento-me, como se fosse uma linha do horizonte em pé, frente ao mar?, ao amar?, ao amor? aos mármores? Palavras sólidas e líquidas, diferentes, mas também iguais.

Repare que as palavras nos eternizam, pois não vieram do pó, porque “no começo veio o verbo” …

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Livres para agir

Acredito que para falar sobre liberdade não precisamos ser os maiores sabedores do assunto. Todo mundo é autoridade para falar sobre liberdade. Sendo o mundo supostamente livre, podemos dizer que somos livres. Na verdade não é assim que a liberdade é compreendida.

Esse seria um termo com amplas possibilidades de interpretação e não se esgotariam num único debate. Abordagens infinitas poderiam ser discutidas e nunca se chegaria numa conclusão sobre o que seria a liberdade. Poderia dizer que a liberdade é ação. Ser livre para agir parece englobar tudo o que poderíamos dizer sobre liberdade. Se a liberdade é ação, então deveríamos ser livre para agir, dizer, falar, expressar, comunicar ideias, por exemplo.

O Problema é se se poderíamos dizer qualquer coisa em qualquer lugar e agir também de qualquer modo em qualquer situação. Qualquer pessoa responderia que certamente haveriam situações em que a subjetividade de cada um deveria ser deixada de lado para que um evento em sociedade pudesse ocorrer tranquilamente. Os eventos existiriam porque neles todos estariam ali para um objetivo comum, que seria assistir ao evento, por exemplo. Se, ao invés, alguém tira a roupa e age tranquilamente como se nada estivesse acontecendo, poderia causar certa confusão a não ser que o evento permitisse isso.

A liberdade seria algo que acontece com as pessoas? A liberdade seria relacionada apenas a uma pessoa ou várias? Só é possível falar de liberdade vivendo em comunidade comunidade? Vivendo isolados faríamos parte de uma cultura que nos acolheria como indivíduos que não interagem e que vivem à parte? Essa sociedade nos acolheria só para dizer que não estaríamos fazer parte dela? A solidão só existe porque existem muitas pessoas no mundo para que possamos nos sentir solitários ou não tem nenhuma ligação com o fato de ser livre? Sabemos o que é a liberdade ou o que é ser livre hoje em dia? A liberdade seria ação? Que tipo de ação seria a liberdade? Vivendo solitários num planeta deserto poderíamos nos sentir com toda a liberdade que desejássemos? A liberdade só existiria em grupo, em sociedade, num grupo identitário definido por pessoas que se identificassem e se unissem com regras para cada um e para todos? A liberdade seria sempre relacionada com as leis? A liberdade já existiu historicamente? Atualmente, ela existe plenamente, parcialmente ou não existe de fato? Seria possível dizer que atualmente o que há é uma gradação da liberdade, pois como a sociedade estaria segmentada em classes, a liberdade seria também fragmentada?