Em busca da solidão 

Então,  pensando bem, creio que hoje vai ser um dia bem agitado. Vou verificar minha paciência e ver se estou disponível para mais encrencas.

Alô! Eu, tudo bem com você?  Sim, é você como vai? Não respondi minha pergunta, pois já havia respondido ao me perguntar.

Rola a história, a lenda, daquele que um dia foi tão feliz que virou um imenso céu azul. Hoje porém, velejo por esse mar sem ver pessoas, nem cidades, apenas miragens que se transformam em desilusões, se desfazem na espuma das ondas das águas do mar e desaparecem como as nossas certezas.

Não confie no que vê ou sente e, o que parecia horizonte, se transformará em abismo terrível. Pense em doses, a medida, a fórmula que irá te levar para algum lugar e esse lugar não será mais a sua ilusão. Será a sua nova realidade.

Como chegar? Onde? Lá?  Depende do ponto de vista. O importante é que todo dia um monte de golfinhos me visita. Fazem muito barulho, mas não entendo o que falam. Parecem rir enquanto nadam saltando para dentro e fora da água.

Quase sete meses desde que parti da Groelândia deixando a solidão dos dias frios para o ninar ora calmo, ora tempestuoso do mar. O mar que tantas ilusões nutria eu e hoje trago outra realidade bem mais mareados, bem mais enjoativo do que a maresia. É a realidade desfazendo ilusões, desfazendo até mesmo a ilusão de que a distância existe para que possamos fugir da solidão.

Fugir para longe e tentar despistar a solidão é tentativa vã. Tentar segurar a areia e fazer com que ela não escape por entre seus dedos, tentar segurar a água e fazer com que ela permaneça em estado de eterno escoamento por entre suas mãos ou fazer com que o olhar que brilhou ao encontrar o seu …

Fugir para longe não é solução, mas apenas a ilusão de que abandonos o mundo é que é ele com todas as pessoas que estão solitárias, sem mim, sem minha companhia. E, na vastidão líquida, o mar com sua superfície imponente irá fazer companhia às lágrimas solitárias que caem despercebidas em seu mundo.

Eu sei o que persigo, mas o inevitável é a confiança e a falta de coragem. Tudo parece ilusório quando estamos à deriva e jogados à própria sorte. A realidade parece ilusão e a ilusão a maior verdade, porque depende somente de nossa fé.  E aí que outro mundo é construído dentro de nós.

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Era uma vez no final

Meus olhos começaram a chover. Minha alma a trovejar. E nas areias do deserto as minhas idéias vagavam no infinito limbo da escuridão.

O dia estava iluminado pelo sol do meio do dia. Era apenas mais outro dia pontuado por mim no mundo. Num mundo onde sou menos que o sinal gráfico de ponto e ação.

Sou menos que um ponto e certamente pouco mais que um grão de areia. Talvez um dia volte para as dunas. Será que cada grão se sente só? Talvez se sintam muitos e isso deve ser muito bom.

Comecei inventando contos para cada pessoa que passava na minha frente. Muitas histórias inventadas por mim, por elas, por nós.

No fim, outros mundos se apresentarão. O fim é apenas o começo de nova história. A narrativa por si é novidade. A história não. É o aprendizado dos povos. Penam lentamente no erro até encontrarem cravado na chão o absurdo geologico de sua burrice ancestral.

A causa e o defeito no amor causa o efeito da perfeição do amor. Como a água mais pura e cristalina quero dar vida a minha sede de amor.

Quero apenas viver de eternidades de tal forma que o amor seja maior que o dobro dos espaços infinitos e Deus elevado ao infinito.

Num dia qualquer sou apenas um ponto imerso na multidão. Esperando finalizar algo. Esse algo nunca termina, porque sempre é a vez.