A sugestão como personagem

Por acaso criei uma pequena história partindo de uma imagem. A história ou conto, não  sei como poderia chamar o texto, pode ser lido aqui. Pedi para que os leitores do blog sugerissem uma continuidade para história. A Elaine Reis, do blog curioosamente deu a seguinte sugestão:

Imaginei Melinda com seus cabelos coloridos e tatuagens e piercings e acredito, com certeza, que só melhoraria o contexto se ela tivesse na bolsa livros de Beauvoir e Virgínia e Angela Davis e todas as feministas maravilhooooosas, afinal e pelo visto, essa tal bolsa de que vc gostou tanto, juntamente com o boné, te ajudarão em algumas aventuras. Sem falar que o protagonista sendo um homem feminista, provavelmente, seria um indicativo de alguém que compreende algumas bandeiras de luta e que estaria se esforçando pra ser alguém melhor e fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Lerei os próximos capítulos, rsrsrsrs… Abraço

Então baixei o livro de Angela Davis, Mulheres, raça e classe e também Jane Austen, Razão e sensibilidade e Virginia Woolf, Mrs Dalloway, para tentar compreender o que são os fenômenos femininos que acontecem no mundo atual, mas entendendo também que se trata de um fato histórico.

Enfim vou ler dessas três autoras e tentar criar uma forma de escrever que una a forma de personagens, escrita e expressão para conseguir dizer o que foi proposto pela Elaine. Não tenho nenhum para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Para mim é como ter várias vozes, várias mulheres, várias autoras e antes de tudo, seres humanos. Então continuo meu pedido deixem seus comentários, vou adorar!

No caso da sugestão da Elaine, não percebi detalhes sobre o que ela imaginou. Quero dizer que a imaginação dela criou algo ou interpretou algo que não disse explicitamente, mas ela assim entendeu. Isso é legal e me ajuda a perceber e ver como os leitores percebem um texto criado por nós. É uma brincadeira divertida participar da criação de um texto numa postura ativa e não meramente consumir o texto de um livro pronto.

O título do texto “Melinda” é ainda provisório e faz parte de um plano determinado que tenho para continuidade da história da mesma forma que a imagem das bolsas são fundamentais para o enredo e prosseguimento do texto, e, o fato de muitas pessoas fazerem sugestões para essa história não me deixaria perdido tentando agradar só a uma ou outra pessoa que deixou sua sugestão.

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Como vou poder estar te ajudando?

Olá galera, tudo beleza, tudo certinho e misturado? Apresento hoje a ilustradora lovelove6, autora da Garota siririca. Eu ri muito, vi na hora que tinha que falar dessa ilustradora. A encontrei nesse hilariante post do blog Armazém de cultura. Abaixo um trecho da entrevista feita com ela no blog:

Armazém de Cultura: Mesmo que desenhando desde pequena, você começou de fato a fazer quadrinhos em 2013, certo? Poderia contar melhor sobre como surgiu essa necessidade de botar o seu trabalho no mundo?

Lovelove6: Em 2013 eu estava bastante deprimida, ostracizada pela galera com quem eu andava na época e muito silenciada por um ex-companheiro. Como eu me sentia bastante isolada e desamparada, comecei a publicar alguns quadrinhos em formato de zine, como uma forma de registrar e materializar meus verdadeiros sentimentos e perspectiva no mundo, não deixar ninguém falar por mim.

Pois é pessoal, arte é o que é arte. Ela é o prazer que sentimos quando a contemplamos. Põe nosso mundo perfeito em questão e deixa todas nossas certezas em dúvida. Arte é sempre uma busca pelo mistério do mundo aliado as descobertas feitas pela humanidade.

Cada artista possui sua descoberta e contribui para que todos que contemplem sua arte produza a sua própria arte. É como um trabalho de inter-textualização, um texto se referindo a outro texto e, na arte, uma descoberta, uma procura, um prazer, uma …siririca se sobrepondo a várias outras interpretações e possibilidades de criação artística. (observação: eu nunca estudei arte, nem li nada a respeito, por isso não sei se falei muita bobagem.)

E essa “tirinha” acima? O que pensar sobre essa entrevista? Ser livre deve ser entendido só pela possibilidade de escolha ou só pela liberdade e prazer que essa escolha possibilita viver?

A arte é um problema de todos e que “dura” para a eternidade.

Na tira a seguir não seria o capitalismo nos tirando a possibilidade de nós mesmos nos consumirmos no nosso próprio prazer ou será que até nisso tentaria nos consumir?

#73

E aí, o que acharam? Ou como dizem no telemarketing “como vou poder estar te ajudando?”

Mensagens do momento

Continuando pelo mundo ilustrado apresento Fernanda Fernandez que vi numa postagem desse blog aqui.

Fernanda Fernandez começou a ilustrar num momento difícil de sua vida como ela diz no trecho de entrevista transcrito abaixo:

Fernanda Fernandez vive em Niterói e é estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFRJ. Ela desenha desde criança, mas foi em 2013, após um acidente que a deixou paraplégica, que o rumo de sua arte mudou: como meio de recuperar os movimentos das mãos, começou a dedicar-se a representar coisas diferentes no desenho. E foi neste momento de sua vida que começou a retratar o feminino, evidenciando a força e a delicadeza de ser mulher, sempre com mensagens de empoderamento e amor próprio. “Acho que a arte tem sido uma forma de passar as mensagens que gostaria que todos ouvissem, e que eu gostaria de repetir pra mim mesma também. Gosto de transmitir mensagens confortantes, positividade, calmaria.”

Começou a produzir através de lápis de cor e nanquim, mas atualmente seu instrumento é a ilustração digital -sua nova paixão. Fazendo encomendas personalizadas, compartilha suas ilustras.

Sobre a ilustração abaixo, o que poderia dizer sobre “as noites mais escuras”? Acho que noites escuras remetem aos nossos momentos de reflexão, quando não estamos ligados com o mundo exterior, mas conectados com um mundo misterioso e ainda desconhecido dentro de nós. Seria um daqueles momentos em que muitos se perguntam “quem eu sou”? Ou, poderia dizer de outra forma: as nossas descobertas mais intensas estariam naqueles momentos em que encontramos nossas maiores estrelas.

“Somos feitos de poeira de estrelas…” (Carl Sagan) ✨ #7diascolorafro 💚 Fotografia: @zavierdeangelo 📷 + em www.instagram.com/mftfernandez

Que coisas poderiam dar significado a palavra lindas? Muitas, penso. Muitas coisas podem dar lindas palavras, mas apenas uma palavra torna todas as outras coisas lindas, o amor. Se tudo o que é lindo estiver no amor, eu quero!

As coisas são mais lindas…Porque você está 🌷♡ #diadosnamorados

Já que a música da o tom da cor da canção: “Quando a gente se ama é claro que a gente se cuida!”

Fica bem mais simples 💙 ☺ . Inspirações que amamos: versos de @vibesverao e fotografia da linda @fluvialacerda 🌷 #artwork #plussize #illustration

Refletir é um ato de amor pra encontrarmos nossa paz interior. Amar é o maior dos lembretes.

Hello 2017 💐✨ Vamo seguir esse mantra hoje e sempre? Vamo! 🌻♡ . #illustration#art#digitalpainting

Sei que as ilustrações são de temática feminina, mas deixo aqui uma do meu signo ascendente …

Lema: Sua intuição vive a mergulhar nas suas emoções transbordantes de mundos incríveis. Sonha e sofre, mas vive feliz. 

Por último, mas não menos especial, esse - meu ❤ - signo, que tantas vezes duvidei que fosse meu (haha): Peixes ♓✨ Nessas última semanas pude aprender um pouco desse universo astrológico, e entender coisas nas quais nunca acreditei… Aprendi que...

… e uma do meu signo.

Lema: Não há razão maior do que a emoção. Sua sensibilidade para aperfeiçoar detalhes e uma vontade irresistível de servir e cuidar do próximo é a tarefa principal de sua vida.

Dos detalhes que não passam desapercebidos: Virginianas ♍♡ #signoilustrado

E tem dos outros signos também no blog dela, Fernanda Fernandez.

E aí pessoal, gostaram? Abração pra todos vocês!

O que sinto, ilustro

Navegando pelos mares blogosféricos encontrei uma coisa que sempre gostei, ilustrações! Acho que alguns de vocês aqui do fanzine marginal já me conhecem de outros blogs como o teorema dos sonhos e aquarela dos sonhos, atualmente deletados. Nesses blogs que mencionei, falava sobre as ilustrações de vários artistas brasileiros e internacionais, além de falar de obras de pintores famosos como Wassily Kandinsky, Paul Klee, Pablo Picasso, Salvador Dali, Cândido Portinari e muitos outros. Gosto sempre de ressaltar que os que mais gosto são Kandinsky e Klee e, atualmente Dali, por causa da “luz” em suas obras.

Hoje vou falar sobre algumas ilustrações de Jéssica Gabrielle Lima. O que faço é bem simples: pego uma ilustração e vou falando o que me der na telha. Aliás, acabo de lembrar que tenho os posts antigos dos blogs que falei, depois eu faço um post pra eles. Então, vamos ver se consigo?

A imagem abaixo tirei do blog que fez entrevista com a própria autora. Quando vi, adorei. Falei, po@#a, acho que vou falar sobre essas ilustrações!

Na ilustração logo aí embaixo, percebo um elemento característico da ilustradora que são as linhas. Na maioria das ilustrações dela surgem linhas como se num instante as imagens quisessem se transformar em palavras e, nas imagens com pequenos textos, a poesia do que parece querer virar música. Reparem, na imagem, o que vocês podem ver entre “eu” e “você”? Não é praticamente uma clave de sol? Não é por acaso que esse símbolo musical se chama clave feminina? Porquê se chama também clave feminina? Talvez porque seja a música.

As imagens, palavras e sons não cabem no papel. Os sentimentos são representados na imagem abaixo como transbordantes de sentimentos que se transformaram em arte. A ilustradora criou uma linguagem que ultrapassa o sofisticado e, na singeleza de sua concepção de unir texto e imagem, emociona tanto pelo aspecto visual, quanto pelo textual.

jéssica g lima 6

Abaixo uma pequena tirinha que apesar de parecer redundante denominá-la assim, ela é grande como toda saudade. Acho que dá pra ler, apesar do texto estar pequeno.

Retrata bem o oceano que há entre a saudade que a lembrança ilumina como farol e a dor que ela causa em nós. O que seria maior: as saudades ou as distâncias? Superar a dor talvez seja um caminho que devemos percorrer …

tirinha minha e da Natália Maia. - coletivo ARMININA -

A palavra ânsia surge pra mim no neologismo “substância” como algo que lembrasse muito mais angustia do que ânsia. A substância materializada na forma de uma nova palavra representaria a materialização do que seria a ânsia: a angústia que se traz no coração, ferido por uma flecha e que posso chutar um palpite de que se trata de ferida de amor.

Calma coração, não se enjoe do amor nem tenha pressa por conseguir um. Ele, o amor, move feridas como a fé, as montanhas.

capa e página de [eu não me movo de mim], zine meu e do Elvis Freire. 2015.

Sabem daquelas coisas que nunca contamos? Na arte podemos dizê-las e assim, entregamos ao mundo coisa ainda maior.

capa e página de [eu não me movo de mim], zine meu e do Elvis Freire. 2015.

E a intuição? As vezes a chuva vem de dentro pra fora trazendo nossa tempestade interior. Sublime e inevitável como os fenômenos naturais e mesmo que seja qual for a motivação, saibamos valorizar as lágrimas do exterior como também, com sabedoria, aprendermos com o sofrimento interior.

maio/2014 carta #03: T. que segura minha mão, me estapeia a cara e diz que a vida é mais do que a gente acha que é.

Tem lugares que só nós sabemos onde bate aquela brisa. Esse é um lugar só nosso.

série de cartas carta #4: G. que me conhece pelo avesso e me ama mesmo assim.

E aí pessoal, o que vocês acharam? O texto normal fala do aspecto visual e todos os textos em itálico são pequenas reflexões que faço, ou seja lá o que for, sobre as ilustrações. Falei muita bobagem? Comentem! Muito obrigado a todos que leram até aqui e abraços!!!

Sonora idade

Hoje eu queria apenas digitar algumas palavras e dizer que escrever é como falar com amigos. Só que quando terminar de escrever, o que se passou foi não somente o ato mecânico da escrita, mas o da conversa com possíveis amigos. Amigos que estarão distantes de quem escreveu.

Escrever é um ato. Encenamos para nós. Somos nossa própria platéia. E no fim, as cortinas e nenhum aplauso. Vivemos e não percebemos que a vida é a vida de relacionamentos.

Ouvir um disco de vinil e adormecer ouvindo o arranhar da agulha e acordar numa tarde quente de verão por causa de um trovão que mais parecia um grito. Em seguida a chuva começa a cair toda grossa. É possível ouvir cada gota caindo num chão de terra molhada e o som se misturando ao ruído da agulha na vitrola. O cheiro da terra molhada, tal qual o cheiro da pele suada. Ainda há música? Sim alguns pássaros cantam, indiferentes e outros voam para longe.

O verão e seus trovões. O inverno e seus dias de chuva. Dias de chuva, dias chorosos. Porque frios, despertam o abandono em nós. O calor é a impaciência do corpo na natureza. O calor é um erro e um tesão. A primavera é uma benção. As flores mostram que mesmo lágrimas frias da manhã saudosa podem amenizar a dor com a cor.

O outono é um abraço. Um abraço num entardecer gostoso como voar num céu de nuvens douradas. As estações, os gestos, por onde andam, perguntam-se os que foram abandonados. Estariam os afetos e carinhos soltos por aí, como pássaros fugidios, medrosos, ou como abutres que querem comer o que resta de puro no zelo daqueles que cuidam de quem ama?

Coloco outro disco para ouvir. Volto a sentir a música, outra música e outra natureza em mim se agita, a vida em fim.

Melinda

Não reparei. Entrei no ônibus que ia para Ouro preto e não me interessei por mais nada. Me lembro de alguém sentar do meu lado exalando um cheiro de perfume de mulher. Quando olhei era só uma dessas adolescentes que acham que vão mudar o mundo pintando os cabelos de roxo, colocando, melhor dizendo, espetando, não, melhor ainda, fazendo uma espécie de acupuntura com tantos metais encravados sabe-se lá até em quais partes de seus corpos. E as tatuagens? Nem me fale, aliás ela não tinha. Pelo pouco que pude perceber. Mas meu senso de Sherlock Holmes não teve dúvidas, ela tinha uma libélula enorme tatuada entre o fim da nuca e o começo das costas.

Quando percebi essas coisas numa única pessoa sentada do meu lado eu quase dei um riso bem alto, mas me contive. E os índios, eles também ornamentam seus corpos? Acredito que essas coisas, nos indígenas, tenha ou possa ter outros significados, outras vibrações. Ah, sim, me lembrei que faltava uma coisa: ela só faltava começar a se virar para mim e me dizer que é feminista. Ainda bem que isso não aconteceu.

Aconteceu outras coisas. No meio da viagem percebo que ela já devia estar a pelo menos meia hora com a cabeça apoiada no meu braço. Pensei em desfazer isso, mas uma placa, diferente das outras nas estradas dizia “você está chegando lá”, me distraiu e, que bom, eu pensei, e fechei os olhos e dormi. Sonhei que a garota sentada ao meu lado no ônibus era ainda uma garotinha. Ela me olhava espantada com olhos de quem quer saber se já estamos chegando. E eu lhe respondia “Calma, menina. Não estamos mais em Israel”. E ela dormia, eu dormia, a guerra porém, não.

Quando acordei o ônibus estava vazio. Olhei pela janela e não vi ninguém. Ao me levantar reparo numa bolsa grená com duas fivelas de couro, uma de cada lado, na parte da frente, e percebi que havia um óculos saindo de uma abertura bem ao centro. Do lado dessa bolsa uma necessaire. Uma necessaire azul claro. Pensei no inusitado na combinação das cores que era bem engraçada. A bolsa e a necessaire eram países? Ou poderiam ser um casal? Um casal de irmãos que brigavam muito? Pensei brincando com as palavras “bolsas que são países que são irmãos que não fazem as pazes.” Esperei por um bom tempo no ônibus e fiquei aguardando que algo acontecesse. Quebrando o silêncio falei bem alto “bom, então é isso, vou sair daqui” e me assustei com o som da minha própria voz quebrando um silêncio que parecia a coisa mais frágil do mundo de ser quebrada.

Chegando na porta do ônibus percebi que ela estava fechada. Dei alguns golpes nela com minhas técnicas de Reiki associadas ao Kung fu. Olhei em volta e nada, nem ninguém. Me perguntei onde eu estava e não soube responder. Comecei a andar pelas ruas de paralelepípedo. Comecei a cantarolar “para lele lê, pipe dodo dô” e percebo passos atrás de mim. Me viro e os passos parecem que são de alguém correndo em minha direção. Quando o som dos passos se aproximam de mim como se fossem de alguém invisível, tudo silencia. Sinto um vento passar por mim como se fossem longos cabelos de mulher perfumados por incenso de aroma indefinível e saboroso.

Em volta percebo janelas coloridas, casas de épocas antigas e me pergunto “onde estará todo mundo?” Passando por uma rua, uma igreja estava no centro atrás de pequena praça. Fico ali em frente dela e aproveito para me deitar. Não tentei entrar por que tudo parecia deserto. Diante dessa situação era mais seguro, pensei, ficar do lado de fora. Alguns instantes se passaram. Nuvens cinzas no céu azul se desfaziam e se refaziam e iam e eu ficava. Eu ficava do lado de fora da cidade histórica de Ouro Preto.

Ainda de olhos fechados percebi um ruído de porta velha se abrindo. Aquele ruído de dobradiças de castelos antigos e pavorosos. Estava tão cansado que fiquei assim, em estado de olhos um pouco abertos e um pouco sonolento até que comecei a ouvir um grunhido. Deixei o sono de lado e com certa dificuldade eu tentava me levantar. A cada movimento que eu fazia para me levantar o som abafado, como o de um cão feroz a acompanhar meus movimentos e que parecia estar próximo e prestes a atacar, mas eu não sabia onde. Ouvi a porta da igreja bater atrás de mim como se estivesse aberta. Levei um susto enorme. A porta sempre esteve fechada desde o momento que cheguei ali.

Então, pensei em voltar para o ônibus. Chegando numa esquina percebo a sombra de algo vindo na minha direção e rapidamente me escondo num vão de uma porta de entrada de uma das casas. O que vi foi horrível! Um cachorro negro do tamanho de um fusca caminhava lentamente até que pareceu farejar algo no ar. Levantou a cabeça, fungou o ar em volta e olhou na minha direção. Corri o mais rápido que pude. Ao olhar para trás, depois de algum tempo correndo, não o vi mais. Ninguém me perseguia. Quando olho novamente para frente, lá estava ele, diante de mim. Deu um salto na minha direção e não vi mais nada. Quando acordei, quase dei um pulo até o teto de tanto medo que ainda estava, mas eu já estava noutro lugar. Ao meu lado estava ela, a garota do ônibus.

Ela me disse “olá, eu sou Linda, prazer em conhecer!”, “qual é o seu nome?” “Natanael,” respondi, ainda meio confuso e sonolento. Ela ainda prosseguiu dizendo, “a propósito, agradeço por trazer minhas bolsas. Agora ela são suas. Você vai precisar. E use sempre o chapéu que está ali do lado delas, tudo bem?” Ao terminar de dizer essas coisas, ela foi indo em direção a porta e meus olhos me levavam novamente para a direção de mais um sono profundo. Revi novamente as nuvens que se desfaziam em cachorros cinzas num céu escuro como quando fechamos os olhos e dormimos sem saber se é o sono ou se a causa da sonolência é o desespero por manter os olhos acordados nesse mundo caótico. Os olhos podem estar abertos, mas não vou querer estar vendo. O mundo que quero ver farei com as minhas mãos. Mãos incansáveis que levantarão palavras indeléveis como paralelepípedos numa rua com pessoas sorridentes e felizes. Rua com crianças alegres correndo descalças com os pés na terra e não em escombros, ou nas ruínas de suas próprias casas. Revi as nuvens, as placas dando boas vindas aos que chegavam, a garotinha e menina do ônibus, uma guerra confusa e, após algum tempo, finalmente dormi.

Continua …

E aí pessoal, gostaram? Se sim, comentem, deixem sugestões sobre o que deve acontecer no próximo capítulo.

Eu escrevo meu mundo

Fui indicado pela Tayná Carolline, do blog Edificação Particular, para responder cinco perguntas da TAG do “Mystery Blogger Award”.

“O ‘Mystery Blogger Award’ é um prêmio para blogueiros incríveis com postagens engenhosas. Seu blog não só cativa; ele inspira e motiva. Eles são um dos melhores e eles merecem todo reconhecimento que eles conseguem. Este prêmio também é para blogueiros que acham diversão e inspiração em blogs e fazem isso com tanto amor e paixão”.

(Okoto Enigma)

the-mystery-bloguer-award

 

REGRINHAS DA PREMIAÇÃO:

1 – COLOCAR A LOGO/IMAGEM DO PRÊMIO NO SEU BLOG;
2 – LISTAR AS REGRAS;
3 – AGRADECER QUEM NOMEOU E FORNECER UM LINK PARA O SEU BLOG;
4 – MENCIONAR O CRIADOR DO PRÊMIO;
5 – CONTE A SEUS LEITORES TRÊS COISAS SOBRE VOCÊ;
6 – NOMEIE ATÉ DEZ PESSOAS;
7 – NOTIFICAR OS SEUS INDICADOS COMENTANDO NO SEU BLOG;
8 – PEÇA A SEUS CANDIDATOS QUE RESPONDAM CINCO QUESTÕES DE SUA ESCOLHA, PERGUNTAS ESTRANHAS OU ENGRAÇADAS;
9 – COMPARTILHE UM LINK PARA SUA MELHOR POSTAGEM.

Agradecimentos: Quero agradecer a Tayná Carolinne por ter me indicado e por produzir textos tão cheios de fé.

Três coisas sobre mim: gosto de escrever; tudo que escrevo se passa na minha imaginação da mesma forma que alguém que está lendo um livro e cria cenários e se perde noutros mundos imaginários; queria aprender a jogar xadrez.

Perguntas que a Tayná me fez:

  1. Por que você escolheu ser blogueiro/a?

Resposta: Antes de tudo eu quis apenas jogar minhas ideias num blog. Depois percebi que outros blogs eram não somente blogs, mas outras pessoas. Sempre acreditei que as pessoas podem conversar nos blogs. Os blogs ainda guarda muito do que era a internet no início. Os blogs são diferentes de redes sociais. Escolhi blogar pra conversar com pessoas e me deixar levar por seus pensamentos, aprender coisas sobre cultura, por exemplo.

2. O que seu blog significa para você?

Resposta: O meu blog significa o meu grito de insatisfação com o mundo. Ser marginal significa ser poético. Quero tentar fazer da dor humana, poesia.

3. Quando você criou o blog?

Resposta: Criei o blog quando surgiu uma vontade muito grande de dizer alguma coisa. E, por não saber o que quero dizer, vou sempre estar escrevendo, com ou sem o blog.

4. O que te motiva a continuar?

Resposta: Quando vi a pergunta parecia que a resposta anterior foi até pensada. Na verdade foi uma dessas coincidências. O que me motiva continuar é que quando escrevo mexo com imagens, não com palavras. As palavras são apenas o meio de levar luz até minhas ideias compostas por cenas e imagens. As cenas e imagens por precisarem das palavras pra serem concretizadas no texto, precisam então, ser traduzidas pelas palavras que mas trariam daquela luz que trago em minha imaginação.

5. Qual é o blog que você mais se identifica?

Resposta: Não tem nenhum específico. Mas posso deixar apenas uma indicação de um blog que segue sempre com postagens regulares que é o da Karina Kuschnir, que mostra na última postagem, inclusive, justamente o tema do hábito da escrita.

Não vou indicar outros blogs, nem indicar uma melhor postagem do blog; sintam-se livres para responder essa TAG e me avisarem. Vou gostar muito de saber um pouco sobre quem me segue por aqui.