Razão e mente, corpo e alma

Mens sana in corpore sano (“uma mente sã num corpo são”) Juvenal, poeta romano.

A intuição atua quando pensamos de maneira instantânea e algumas vezes acertamos, noutras erramos. Sabe quanto é 2+2? E a raiz quadrada da soma de 54 por 73? Algumas coisas são fáceis de raciocinar e dar uma resposta praticamente rápida. O pensamento intuitivo deixaria de existir quando precisamos usar a razão e a reflexão pra podermos dar uma resposta pra determinadas situações.

Ninguém intuiu o dia que nasceu ou a data em que irá deixar o mundo. Se fosse assim, a quantidade de desordem que causaria seria tal, que muitos deixariam de viver pra praticamente viver no modo automático “Carpe Diem” e não se importariam com mais nada.

Será que seríamos apenas racionalmente intuitivos ou será que existe algo ainda a ser explicado? Será que a intuição seria apenas fruto da observação de eventos já memorizados no repertório mental de vida de cada pessoa de forma que ela conseguiria saber o que fazer, ou como agir em determinadas situações?

E como cada pessoa tem uma vida diferente da de outra, cada um teria diferentes tipos de intuição e até mesmo níveis diferentes dela. A intuição se imbricaria com a inteligência ou seria mecânica e sistemática como aprender que dois mais dois resulta num dado totalmente previsível? Será que existiria alguém que desse conta de responder a pergunta: qual é a raiz quadrada de 1749 em menos de 10 segundos? O nosso conhecimento de mundo diz que pessoas incríveis existem, mas fatos que assim acontecem, são raros.

A intuição por hora, poderia ser dito que seria uma soma de fatores mentais, psicológicos e, em alguns casos há até quem defenda os aspectos metafísicos do ser humano. Enfim, um pouco do que poderia fazer parte da nossa intuição seria a pragmática e as formas como se dão nossas relações com o outro e com o mundo em que se vivemos.

O vídeo a seguir fala um pouco sobre a intuição.

 

Anúncios

Na tal cidade, na tal época

Todos esperam conseguir em um dia aquilo que levam o ano todo destruindo. Aqui em Jerusalém não é diferente. Descobri muitas coisas interessantes. Uma delas foi quando estava caminhando e encontrei sem querer, enterrado na areia, um objeto feito de terracota, provavelmente de mais de dois mil anos atrás, segundo me disseram.
Trabalhar como médico numa das regiões mais tensas do mundo atual é muito cansativo. Toda hora são corpos e mais corpos de pessoas sendo enterrados vivas em suas próprias casas porque não tem pra onde ir pra fugir de uma situação perigosa pra quem espera viver em paz.
Estou aqui há seis meses e amanhã voltarei pro Brasil. Quero falar de Mariah, uma garotinha que conheci enquanto procurava crianças sobreviventes numa escola que tinha acabado de desabar. Quando a vi pela primeira vez ela estava banhada em sangue e poeira e gritava “salvem o Caleb! Ele ainda está vivo, eu sei, eu vi! Salvem o Caleb!”
Horas mais tarde conseguiram retirar o seu amigo e umas cinco crianças com vida no mesmo lugar apontado por Mariah. Essa garota me assustava um pouco e o que achava interessante nela é que nunca demonstrou nenhum sinal de cansaço, nem mesmo seus amigos falavam com ela. Como de costume fui dormir um pouco mais tarde depois de tentar jantar sem lembrar tantas mortes e corpos de pessoas passando gritando, ou fazendo silêncios pra tenta ouvir um possível pedido de ajuda, ou apenas o silêncio da morte.
Já no Brasil, levei algumas semanas trabalhando normalmente num hospital até que numa tarde, depois do almoço, enquanto conversava com uns colegas e alguns funcionários eu permaneci cochilando sentado num banco num dos corredores do hospital e estava quase adormecendo quando pensei ter ouvido uma voz de criança pedindo ajuda.
Me levantei calmamente e reparei que uma das portas num dos quartos estava aberta e fui verificar e tentar fechar. Levei um susto quando vi um colchão branco vindo em minha direção. O coloquei num canto e já ia fechando a porta quando escutei uma voz de criança vindo da sala. Fiquei com raiva, pois não era comum ficarem sozinhas em quartos de hospital. Então, quando estava quase fechando a porta, um enfermeiro me avisa de um paciente que estava tendo alguns problemas e notei então que alguém segurava a minha mão. Meus cabelos se arrepiaram imediatamente de um jeito que acho que descobri lugares de meu corpo que nem sabia da existência deles.
Pela fresta da porta semiaberta podia ver que alguém me observava. Olhei e constatei que se tratava de uma criança, provavelmente. Abri a porta e lá estava ela, a cena novamente vazia. Fiquei intrigado e já me esperavam em outro quarto quando decidi sair dali e voltar depois. Ao fechar a porta escutei novamente risadinhas de criança.
Naquele dia a tarde passou muito rápido e a noite veio sem avisar. Passar um natal ali naquele lugar não era a minha melhor opção, mas pelo menos tinha muitas pessoas, pacientes e ainda aquele ocorrido no fim da tarde estava me deixando impaciente como se todo momento alguém estivesse alguém me vigiando.
Quando a noite de natal finalmente chegou estava acabando de realizar um parto dos mais fáceis que já fiz na minha carreira. A criança nascendo parecia que só faltava pular no meu colo e me abraçar. A mãe felizmente sentiu pouquíssimas dores, mesmo sem anestesias como havia pedido.
Enquanto todos comemoravam voltei ao corredor onde ouvi as risadas de criança. Estava tudo calmo. Sentia uma sensação de alívio como se estivesse finalmente feito o meu melhor trabalho do dia. Desliguei a luz e me assustei com a claridade da luz  da lua entrando forte bem no meio do quarto como se fosse um holofote. Naquele dia o céu estava claro e passava bem de frente da janela daquele aposento.
Voltei ao quarto da recente mamãe do hospital e vi numa toalhinha escrito o nome “Mariah”. O bebê dormia, mas parecia sorrir pra mim, ficava apertando suavemente  sua própria mãozinha, uma mãozinha tão pequenininha que parecia que a recém nascida estava vibrando de alegria por ter acabado de ter nascido.
Na semana seguinte fui convidado pela ONU para voltar a Jerusalém e depois ir até a ilha de Saint Maarten. Antes, porém ainda em Jerusalém perguntei se alguém conhecia uma garotinha chamada Mariah, mas ninguém sabia me dizer, ou ninguém a conhecia.
Depois de acomodar muitas pessoas num avião da força aérea dos Estados Unidos, eu precisava verificar o  único hospital daquela ilha e deixar tudo fechado. As pessoas que estavam no avião iriam ser levadas pra Chicago e eu, após concluir essa missão retornaria pro Brasil. A ilha estava toda destruída por causa de um furacão. Fiquei um bom tempo observando a paisagem. Algum tempo depois notei algo caindo do céu. Caia lentamente e corri pra ver o que era. Era uma faixa branca, suja, provavelmente retirada de algum lugar pela força do furacão e, ao observar mais de perto, vi que estava escrito nela em inglês “muito obrigado, amigo”. Meus olhos se encheram de lágrimas e desde então eu acredito na vida cada vez mais intensamente e também que anjos existem.

Devemos ser minimamente felizes?

Algumas coisas surgem como novidade, mas já nascem velhas demais. As pessoas que vivem no interior do Brasil, por exemplo sabem muito bem o que é o minimalismo. Claro que não devemos confundir pobreza com minimalismo. Esse conceito parece estar mais ligado ao fato de que muitas pessoas se veem perdidas em meio ao consumo. Em suas casas não é difícil encontrar algo que não tenha mais utilidade.

Qual a diferença entre aqueles que estão acostumados a viver com muito pouco e aqueles que precisam urgentemente se livrar de tudo inclusive empregos que não lhes traz nenhum benefício pra saúde causando a sensação de que só vivemos pra trabalhar, pagar contas e consumir.

O Brasil sabe como lidar com essa situação, pelo menos parece. Será que o morador interiorano se sente bem com sua situação de miséria? Será que trabalhar e ter condições materiais de viver bem é algo ruim? Em parte não. Ganhar dinheiro com o trabalho é algo que dá sentido a nossa vida e o problema é que quando percebemos que a matéria se sobrepôs a nossa própria vida já é muito tarde. Então, um trabalho de reorganização material deve ser iniciado pelas coisas que não fazem sentido ter. Objetos, empregos e até mesmo pessoas devem ser retiradas de nossas vidas.

A pobreza e a miséria não são condições dignas de vida pra ninguém, mas viver sufocado de coisas inúteis também mostra certa falta rumo no sentido de dar um sentido mais sustentável pra renda que se ganha com o trabalho. Tanto faz se é o tal miserabilismo, ou o minimalismo, o importante é uma vida saudável e sustentável vivendo bem com pouco recurso material que não significaria necessariamente viver na pobreza.

O importante é sermos felizes com o que temos. O senso comum acredita sempre que o que se tem é pouco e que é preciso ser muito rico financeiramente pra ter tudo o que se precisa pra ser feliz.

A autora do blogue Fêliz com a vida diz,

Minimalismo é muito mais do que um estilo de vida ou uma preferência estética. É uma ferramenta que pode ajudar a todos aqueles que estiverem dispostos a se livrar dos excessos em favor de se concentrarem no que é importante para encontrar a felicidade, realização pessoal e, principalmente, liberdade.

É estranho porque “ter” significa possuir emprego, trabalho, coisas que dignificam o indivíduo, mas pra isso seria preciso pagar o preço de sofrer com empregos estressantes, trânsito, dívidas, exemplificando apenas alguns fatores de desequilíbrio entre corpo e mente. As vezes o que mais vale a pena possuir são aquelas coisas que nos fazem realmente felizes. Como sempre a felicidade está dentro de nós e no que amamos e não fora de nós, nos outros ou em outros. Devemos deixar que a felicidade possua a gente e não o contrário.

Passarinhando o tempo

Sempre gosto de ler posts antigos de meus blogs deletados. Sempre costumo salvar tudo antes de deletá-los. A pequena história a seguir fiz pensando no desenho Hora de Aventura e, eu (Rômulo) me coloquei como personagem. Achei que ficou legal e engraçado.

*Postado no blog (desativado) skrautskrift (significa “caligrafia” em islandês) em 07/02/2016.

Que fala das aventuras de Rômulo e seus amigos Jake, Finn, Marceline, Princesa Jujuba, Rei Gelado, BMO, Bart Simpson, Eric Clapton em um dia normal enquanto observam um pássaro com atitudes muito suspeitas. 

Era uma manhã normal num bairro afastado do Centro do Rio de Janeiro.

6:00 da manhã

Rômulo: Ahhhhiii, que manhã ensolarada. (Rômulo fala enquanto se espreguiça lentamente na cama dando um bocejo demorado.)

Jake: E aí, Rômulo, sai dessa cama, vamos curtir tudo que há pra viver, vamos nos permitir, cara. (Jake surge no quarto de Rômulo falando como se estivesse quase querendo começar a cantar uma música do Lulu Santos.)

Rômulo: Ai, não Jake, acabei de acordar, não começa com Lulu Santos não, por favor.

Jake: Ué, Rômulo você leu as descrições, é?

Rômulo: Li.

Jake: acho melhor mandar parar, né?

Rômulo: É! Nada de descrição.

(Bem leitores, como eles não querem mais descrições, imaginem a cena vocês mesmos, vou aproveitar e curtir o carnaval, fui; au revoir, pessoal.)

Jake: E aí, que é que manda pra hoje?

Rômulo: Sei lá. Acho que vou passar o dia todo sem fazer absolut vodka.

Jake: Essa foi boa Rômulo, mas então vamos fazer o seguinte: chama o Eric.

Rômulo: Alô, Eric, aqui é o Rômulo, você já tá vindo, cara?

Eric Clapton: Sim, mas tem um problema de última hora; eu perdi minha bagagem e tô sem guitarra, tudo bem?

Rômulo: Tá, ok. O importante é a sua presença.

Eric Clapton: Falou! A ra ri lara la, layla, layla.

Rômulo: Jake, ele já tá chegando!

Jake: Rômulo, você viu onde está o mel pra passar no pão quentinho, adoro pão quentinho com mel e um café com leite, humm, delícia, sabe.

Rômulo: Jake, saca só o que tem ali do lado de fora pendurado no fio de alta tensão.

Jake: Parece que é um pássaro. Um black bird, meu irmão. E daí.

Rômulo: Nada. Só achei maneiro. Não é irado?

Jake: Eu não vejo nada de mais nisso.

Finn: Ué, Jake, você não sabia que os pássaros são muito medrosos?

Jake: E por que?

Finn: Por causa dos muleques como Bart Simpson. Eles pegam os seus estilingues e acertam pedras nos pobrezinhos.

Jake: Uau, que manero, vamos brincar disso também?

Finn: Não Jake, isso é errado.

Jake: Ah, sei, é que nem quando a gente tá na escola e tem aqueles caras querendo o dinheiro do nosso lanche, sabe como é, né.

Finn: É, mais ou menos isso.

Lisa Simpson: Alguém aí viu meu tubo de ensaio que vou usar hoje na aula de química.

Jake: Tá ali com o Rômulo, ele tá tomando café nele, ah, ah.

Rômulo: Então isso aqui não é um copo?

Lisa Simpson: Ahh, deixa pra lá.

Bart Simpson: E aí, otários; que que tem pra comer que eu tô com fome?

Finn: Segurem ele.

Bart Simpson: Hei, me solta.

Finn: Peguei o estilingue. Agora isso é meu.

Bart Simpson: Não tem problema; eu atiro com a mão, ah, ah, ah.

Rômulo: Vejam: chegou outro pássaro igual.

Jake: O que será que eles estão fazendo?

Rômulo: Olha só! O outro passarinho que chegou e o que já estava ali estão esfregando o bico um do outro.

Finn: Acho que eles estão namorando. Vi isso num filme uma vez. Toda vez que eles tocam nos bicos um do outro acontece um fenômeno mágico e de repente surge um ovo dourado, de prata.

Rômulo: Até a parte que você falou ovo dourado pensei que você fosse terminar dizendo ovo de ouro.

Finn: Pois é né, não é legal.

Jake: É a história mais absurda que eu já ouvi na minha vida.

9:45 da manhã

Jake: Caramba Rômulo, tá começando a ficar quente aqui fora. Vamos todo mundo pra debaixo daquela árvore.

Rômulo: Qual tipo de pássaro será esse esse?

Jake: Ih, olha lá, ele vai voar.

Rômulo: Ah, pelo voo dele dá pra ver que é um beija-flor.

Finn: Vamos perguntar mais para o BMO.

BMO: Sem problemas:

beija-flor, também conhecido como colibricuitelochupa-florpica-florchupa-melbingaguanambiguinumbiguainumbi,guanumbi[1] e mainoĩ[2] , é uma ave da família Trochilidae e inclui 108 gêneros. Existem 322 espécies conhecidas. No Brasil, alguns gêneros recebem outros nomes, como os rabos-brancos do gênero Phaethornis ou os bicos-retos do gênero Heliomaster. No sistema classificativo de Sibley & Ahlquist, a família Trochilidae integrava uma ordem própria, a Trochiliformes. Entre as características distintivas do grupo, contam-se o bico alongado, a alimentação à base de néctar, oito pares de costelas, catorze a quinze vértebras cervicais, plumagem iridescente e uma língua extensível e bifurcada.

O grupo é originário das Américas e ocorre desde o Alasca à Terra do Fogo. A maioria das espécies é tropical e subtropical e vive entre as latitudes 10ºN e 25ºS. A maior biodiversidade do grupo encontra-se no Brasil e no Equador, que contam com cerca de metade das espécies conhecidas de beija-flor. Os troquilídeos estão ausentes do Velho Mundo, onde o seu nicho ecológico é preenchido pela família Nectariniidae (Passeriformes).

Finn: Mandou bem, BMO.

BMO: Ah, que nada, eu só pesquisei na internet e achei isso na wikipédia.

Bart Simpson: Rômulo, o Eric Clapton chegou.

Eric Clapton: Rômulo, perdi toda minha bagagem, mas achei essa caixinha de fósforo pra gente batucar um pagodim, sabe?

Rômulo: Esquenta não Eric, o Jake pode se transformar numa Gibson, se você preferir.

Eric Clapton: Então tá.

12:30 da tarde

Jake: Né por nada não gente, mais a minha barriga tá começando a gritar.

Rômulo: Gente, vamos montar o tapete pro pique nique.

Jake: Eu posso me transformar em tapete enquanto eu como?

Finn: Não jake, a comida é pra todo mundo.

BMO: Oi, Marceline.

Marceline: Ahh, que fome, acho que vou cantar essa canção; vai na rua pega um rango e come; mastigando de montão; tudo isso só porque eu tô com fome; e cantar me deixa com mais fome; acho que eu comeria um dinossauro, uh, uh, uh; ou então, me contentaria em morder aquele pássaro, passaruh ,uh, uh, pássaruhhh.

Finn: Gente, segura a Marceline, ela quer pegar o beija-flor.

Jake: Peguei! Tá presinha, presinha.

Marceline: Me solta, seu monte de massa amarela. Arrrgh.

Rei Gelado: Princesaaa, Jujubaaa, minha linda, Princesa, Jujuba.

Princesa Caroço: Caroço-aranha, caroço-aranha, muito caroço e nada de aranha.

Rei Gelado: Credo, que música horrível, tome isso.

Rômulo: Todos nós te agradecemos, por nos livrar da temível cantoria da Princesa Caroço, Rei Gelado.

Rei Gelado: Ora, Rômulo, não foi nada, eu tava de saco cheio da voz dela também.

Rei Gelado: Alguém aí quer um sorvete? Eu tenho de chocolate e de morango. Se quiserem calda de chocolate ou de morango é só pedir. E se quiserem morango ou chocolate eu também tenho. É só pedir. Também tenho morango com chocolate, he, he.

16:55 da tarde

Princesa Jujuba: Gente, eu fiz uma descoberta sobre uns pássaros. Eles são chamados de beija-flor. Segundo as minhas pesquisas …

Rômulo: Ei gente, olha lá, o beija-flor está voando de novo. Mas porque ele não sai do lugar. Ele parece estar tão sem fôlego, meio abatido.

Princesa Jujuba: Rômulo, é sobre isso que eu vim falar com vocês. O beija-flor …

Eric Clapton: Saberia meu nome, se o visse aqui no paraíso? … 

Enfim, a tarde caía enquanto todos cantavam …

Então …

Jake: Rômulo, você está bem? É por causa daquela garota, né?

Rômulo: Acho que sim. Ela desapareceu sem deixar vestígio, fico pensando se foi algo que fiz, sabe, as vezes as pessoas e até mesmo nós esperamos atitudes de todo mundo, talvez eu a tenha decepcionado de alguma maneira …

Jake: Eu sei como é isso, cara. Você precisa de um tempo, né? Eu sei bem como é isso, passei por umas situações assim antes de conhecer a Lady Arco-iris.

Eric Clapton: Rômulo, o amor pertence ao paraíso. Se eu pudesse alcançar as estrelas traria tudo de bom para o mundo.

Rômulo: Eu sei, acho que tudo vai ficar bem, só não queria que ela desaparecesse.

18:14 da noite

Os beija-flores continuam em pé no fio de energia elétrica. Todos continuam observando e cantando ao som das músicas de Marceline e Eric Clapton.

Um vento macio, suave e leve, porém, volumoso, afaga cada um como se estivesse participando desse momento de união. A noite cai e a esperança continua no pensamento e coração de cada um deles. A vida é uma das coisas entre o céu e a terra. O amor é a chave que desvela esse mistério contido em nós.

Pedidos músicais

Princesa Jujuba: Gente, eu adoro Dream a little dream of me do Louis Armstrong.

 

Jake: Eu quero  ouvir a sexta pastoral de Beethoven, adoro relaxar por aí, ouvindo essa música.

 

Rômulo: Eu queria Tropicália e “geléia pra geral”, he, he.

 

Bart Simpson: E eu quero pedir a música do cara dançando.

 

BMO: Oba, agora é minha vez de pedir uma música. Eu quero ouvir a música do Sébastien Tellier, Aller vers le soleil.

 

Beija-flor: Eu também quero a música do Natiruts, Presente de um Beija-flor.

 

Rei Gelado: Eu queria pedir a música Turn back time, por favor, da Aqua.

 

Finn: Eu quero a música da M.IA.

 

Eric Clapton: Imagine …

 

Princesa Caroço: Gente, eu sou muito romântica e eu gosto da música Hunting girl, do Jethro Tull.

Discos de papel

O que há com o mundo hoje dia? Por que será que quanto mais tecnologia, mais desinteressante se tornam os objetos criados através dela? Quanto tempo vai demorar pra descobrirem que tudo não passa de “um museu de grandes novidades” como Cazuza cantava.

O museu das grandes novidades derrotou o disco de vinil e tornou um objeto tão interessante pra colocar outro que na verdade nem existe como o caso do itunes. Comprar uma única música ou várias é bem diferente de perceber todo o trabalho de um disco físico bem produzido. Claro que não falo do formato dos CDs, mas do vinil. Insubstituível, acredito que é possível perceber detalhes que só o som do  também chamado LP (Long Play) proporciona.

Como exemplo darei que o som de um violão é bem diferente do de um produzido por um sintetizador. A voz humana também é um instrumento e percebemos que ainda não inventaram nada melhor, no caso daqueles que cantam bem, do que a nossa voz natural.

Então, observo a Bienal do Livro num país que está no ranking “negativo”, ou melhor  (pior) dizendo num país que está entre os últimos na ranking da educação. Brasileiro lê? Brasileiro na verdade consome. E paga caro por livros ruins. Como tudo que evoluiu com a tecnologia, o livro se tornou um objeto produzido com o que a tecnologia atual pode oferecer de melhor, mas o conteúdo, os escritores, a grande quantidade de editoras que existe atualmente não nos permite nem o folego necessário pra assimilarmos tanta informação pra podermos dar algum tipo de avaliação.

O disco de vinil permitia quase uma aproximação física com os fãs. O formato digital de uma música não permite nada, apenas que você possa pagar. Comprar um livro indo numa bienal não é tão diferente de irmos numa livraria dessas qualquer e você poderia até mesmo se enganar ao entrar pra fazer um lanche pensando ter entrado numa rede de fast food famosa quando na verdade você entrou numa livraria, pois são tão parecidas as fachadas de tais lugares que as cores e logotipos mudam pouquíssimo.

Dependendo do horário que vamos na Bienal do Livro como a que acaba de acontecer nessa semana aqui no Rio de Janeiro, podemos encontrar com o nosso autor preferido após enfrentar suave fila. Enquanto isso, no YouTube (que mudou também um pouco o seu logotipo nessa semana), assisto ao vídeo de uma simpática “booktuber” falando dos livros que as editoras enviam pra ela. A quantidade enorme de livros que vi as editoras enviarem não só pra ela, mas pra vários outros youtubers é incrível, “eu também quero”, disse surpreendido com o que vi. Queria saber como faço pra receber essas coisas.

Então só pra resumir, fico com a impressão de que se eu for numa dessas livrarias vou poder estar comprando um livro que alguém recebeu em casa enviado pela própria editora e, muitas vezes com alguns brindes que não ganhamos quando compramos numa livraria física. Esse mundo é estranho mesmo. Muito engraçado, mas não. A seguir deixo um vídeo, pelo menos é grátis a vitrine. Observação: não tenho nada contra a YouTuber do vídeo, deixo o vídeo apenas como exemplo recente, pelo menos pra exemplificar a questão dos livros; adoro o canal dela e de outros que também assisto.

Só pra terminar, no caso dos discos de vinil, vale lembrar que nesse mês irá acontecer aqui no Rio de Janeiro o Rock in Rio, deixo essa informação só pra lembrar quem quiser ir ou quem sabe ter um show enviado gratuitamente por alguém pra sua casa, já pensou que legal?