Lendo a eterna mudança

Navegando pela rede social que menos gosto no mundo, de todos os tempos: o Facebook, encontrei a imagem da página de um livro da Clarice Lispector.

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Ela parece escrever com o pensamento. Ela parece que está sempre à la Sócrates.

Aí resolvi escrever um pouquinho. Será que se cada um de nós não criarmos nossa própria editora ninguém nos lerá? Porque parece que para ser lido é preciso estar nos livros do Ensino médio. E até mesmo se você escrever uma vírgula fora do lugar, você será perdoado pela tal da licença poética, a tal licença que coloca os erros de uma má revisão e diagramação das editoras nas bocas de autores mortos. Hoje estou sem paciência com coisas de consumismo.

Nunca vi tanta gente lendo tantos livros e nunca vi tanto consumo inútil. Se é preciso criar um canal e fazer resenhas de livros só pra mostrar que você leu, então eu queria criar um canal no You Tube só pra falar do que nunca vou ler nem que (e somente talvez assim) me oferecessem um trilhão de Dólares.

Eu gosto de ler e comentar com as pessoas do meu lado. Não me interessaria comentários em canais ou em redes sociais. O importante é lermos mais o que há nas bibliotecas públicas, nos sebos, nos nossos sebos dentro de nossas próprias casas.

Editoras tão antigas quanto os próprios livros e autores que parecem renascer sempre que folheamos as páginas encardidas de poeiras e outros bichinhos que perambulam pelas páginas de um amontoado de papéis jogados num lugar qualquer de uma casa são um mundo desconhecido de novas histórias prontas para serem descobertas.

Um livro, que tantos “booktubers” de hoje em dia dizem ler ou terem lido não passa de uma lata de palavras tão artificial quanto um remédio tarja preta. Observo até quem dá dicas e fórmulas para criação de contos, por exemplo. Tudo bem. Mas chamar essas coisas de cultura num país onde as pessoas talvez assistam muito mais canais de resenhas do que vão aos museus e bibliotecas, ou pior ainda, nem mesmo possuem esse costume, aí sim é fato de preocupação. Certas pessoas não perceberam que a cada livro que leem suas cabeças estão se esvaziando em trilogias sem “logias” nenhuma.

Queria pensar em dizer algo do tipo “quando escrever, ou se eu escrever um livro, vou guardá-lo para que ele nunca seja vendido por nenhuma editora a não ser a minha.” Aí quero ver. Já pensou se um dia eu escrevo um ou alguém lançado pela minha editora consegue com apenas um único livro uma quantidade maior de vendas do que tudo que as grandes livrarias e editoras já teriam conseguido vender? O problema é que tudo acaba em comércio e não em afeto pelo livro como objeto artístico como quase se fosse um bichinho de estimação.

Pensei que arte fosse apreciar tudo o que é belo. Depois aprendi que arte é tudo, inclusive o que não tem forma. O que possui uma forma definida é uma estátua. Por isso Deus nos deu o dom de sermos sempre diferentes e mudarmos imperceptivelmente a todo instante.

Até uma estátua muda. Seus átomos estão se desprendendo, e um dia o que antes era uma estátua rígida será no fim de longo tempo apenas pó. Somos criações artísticas divina. Assim, temos o mesmo dom de quem teria nos criado e a natureza seria um deus que talvez faça arte enquanto a gente brinca de criar arte.

Fico imaginando as histórias por detrás de um livro com uma página rasgada. Será que teria sido alguém que precisou anotar alguma coisa importante e por isso teria rasgado a página do livro? Será que foi alguma criança? E um número de telefone anotado no final do livro com tinta azul quase já esmaecida? Será que a pessoa dona do número vai atender se ligarmos para ela? Nem sabemos que com o tempo passamos a fazer parte de nossos próprios livros mesmo que nem mesmo os tenhamos escrito.

“Não, nunca fui moderna. E acontece o seguinte: quando estranho uma pintura é aí que é pintura. E quando estranho a palavra aí é que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida.”

Devemos ler além do que está escrito.

 

 

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Implícitamente na cara

Navegando pelo universo de vídeos infinitos no YouTube eu costumo na maioria da vezes me inscrever antes, se o canal tiver algo que me chame a atenção e eu queira assistir depois, ou outros motivos aleatórios e depois é que assisto os vídeos dos canais que me inscrevi.

As vezes até me esqueço que me inscrevi em determinado canal porque alguns demoram pra atualizarem e colocarem vídeos novos. O canal de hoje é o Metaforando e basicamente ele diz “que lê pelos detalhes das expressões faciais de famosos as suas intenções verdadeiras ou não.”

Um exemplo é que no começo eu disse pra mim mesmo ao começar a ver rapiadamente um vídeo desse canal e depois pausar: “não acredito que é isso que ele faz”. Então, depois de algum tempo, assisti esse vídeo do nada mais, nada menos que o maior YouTuber da atualidade o PewDiePie em que o Metaforando analisa a linguagem corporal do Felix Arvid Ulf Kjellberg, o PewDiePie, que é sueco e mora na Inglaterra. Cheguei a conclusão que sim, é exatamente isso que o canal Metaforando faz, tenta descobrir, por exemplo se uma pessoa está mentindo ou dizendo a verdade analisando suas expressões faciais.

 

Você é a única

O que a vida me tem mostrado
um caminho rico que não se sabe
o final

A noite chega e eu não pensei
que esperaria você
porque agora
também vossa é a minha vida

você é a única esperança
em minha vida
em todos os caminhos
que caminhei
a tarde
lá você estava

você é única esperança
na minha vida
você é a única
meu único caminho

A noite chega e já é tempo
de estar conosco
a paz que desejo
sempre

porque agora eu posso conseguir
e conquistar o que sempre quis em minha vida
e você é minha única esperança

a forma perfeita de caminhar
e aqui está
solitário
meu coração
e a minha vida
é você
minha única esperança

meu único caminho
meu primeiro
e único amor
meu destino
verdadeiro
minha bem-aventurança

você é o único caminho que meu coração quer seguir.

Literatura em movimento

Muito mais do que só para entreter a literatura também é uma forma de conhecimento. Digo isso por acreditar que muitos esquecem desse pequeno detalhe. Que a ficção seria uma espécie de pacto entre escritor e leitor de que o que está escrito não é real e ainda que seja, ninguém duvida, mas quando mencionamos a Literatura como ciência, com L maiúsculo, aí a história é bem diferente.

Hoje vou deixar aqui um vídeo de um canal que estou adorando acompanhar. O Abstração Coletiva. A seguir deixo um vídeo da autora do canal falando sobre o livro Cobra Norato, de Raul Bopp.

Sobre a autora do canal, não consegui muitas informações, mas vale a pena conferir. Ela fala super bem no vídeo e fala do começo ao fim calminha, sem cortes de edição dando informações relevantes sobre a leitura do livro e a resenha feita por ela flui naturalmente.

Amanhecendo

Uma vez me lembro de ter acordado e a manhã ainda estava a nascer.

Me ergui como um sol e o dia seguiu firme.

Era só mais um começo de dia de vida, enfim.

Era uma manhã amanhecendo. A manhã sendo eu e eu amanhecendo na vida que amanhecia e ainda amanhece e assim, como novidade permanece claro.

A manhã é sempre dia e eu sempre manhã e amanhã; a manhã e eu somos o presente e o futuro de nós mesmos.

A manhã é agora, amanhã, outra manhã e até no passado há manhã que acontece enquanto a gente cresce e a lembrança esvai enquanto nova manhã vem. As alvoradas nunca perecem.

A vida é poesia, alvorada das páginas, do pensamento é o dia. As noites são ideais para idéias. Iluminadas pela minha língua elas são a capa do livro escrito de dia.

Onde dia e noite estariam unidos?

Acordar esse mistério é o maior de todos os enigmas.