Acréscimo de rombo ao déficit

Lendo hoje o jornal O Globo do dia 21/04/2015, na seção “Dos leitores”, pude ler algumas coisas interessantes como críticas, exposições de ideias e assuntos que renderiam bons debates, pois apesar de ser um jornal impresso o mundo atual nos disponibiliza outros meios de comunicação para que as interações aconteçam, basta que as pessoas queiram, porquanto a internet faz a comunicação mais rápida e também com maior divulgação e abrangência de acesso para todos.

Uma das coisas que me chamaram a atenção foi o fato de que uma carta dos leitores que trata de uma crítica dada ao título de uma matéria desse mesmo jornal, como podemos ler abaixo:

Déficit Petros

Apesar de a matéria do Globo (17/3) refletir nossas preocupações sobre as demonstrações contábeis da Petros, o título de capa, “Uso político agrava rombo de fundos de pensão” gera mais intranquilidade em vez de esclarecer a situação. A palavra “rombo”, segundo os dicionários, indica prejuízo. Mas não ajuda em nada para o entendimento do que está acontecendo com a Petros e os demais fundos de pensão. Seu uso no título da matéria de capa de um jornal de grande circulação só demonstra a falta de compromisso com a função maior do jornalismo que é esclarecer, dar transparência e jogar luz em assuntos de interesse da sociedade.

Ronaldo Tedesco e Silvio Sinedino

Conselheiros da Petros eleitos pelos participantes e diretores da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobrás

___

Nota de redação:

Conforme os próprios conselheiros registram, a palavra “rombo” é sinônimo de “déficit”. Parece ainda mais adequada para dimensionar um prejuízo de R$ 6,2 bilhões.

Recebe uma explicação tão inocente quanto anêmica em malícia. Como se prejuízos de qualquer valor fossem causados pelos misteriosos “rombos”, entende o que quero dizer? O problema em casos assim não é o uso da palavra mais adequada a ser usada numa matéria de jornal, mas a verdade mais adequada a ser divulgada para o público sem risco para aquele que está informando. Ou seja, informar o jornal informa, mas ele deixa claro que por qualquer motivo não tem nada a ver com o fato informado.

A palavra “rombo” ajuda muito para a compreensão do que está ou estava acontecendo com a Petros e o uso no título da matéria no jornal de grande circulação, na minha maneira de ver as coisas, só demonstra o emprego de determinada palavra, em um determinado contexto em detrimento de outra, além de ser simples questão de escolha de palavras, na qual acredito ter sido o jornal muito pertinente nesse caso. O que poderia causar o não entendimento do que está acontecendo com a Petros não é o título de uma matéria de jornal, mas o motivo real desse prejuízo na Petros que eu poderia pensar se é a falta de nomeação de conselheiros que dão conselhos inclusive nas palavras de uma matéria de jornal ou se não estão querendo também ser consultores de língua portuguesa ao invés de se preocuparem com o rombo, com o valor financeiro que os números do rombo representam.

Eu diria para os conselheiros da Petros que deixem as questões de palavras para os professores de língua portuguesa que o problema da Petros é de números (será mesmo?). Precisamos de clareza nas exposições de ideias e transparência financeira para que possamos compreender melhor o que esses números significam e buscar meios de solucionar esse problema. É tudo que desejamos ver no nosso país que acreditamos caminhar para clareza de números, palavras e posturas políticas.

Até mesmo eu não escrevo muito bem, os meus textos são cheios de erros, períodos longos ou curtos demais, falta de concordância verbal e nominal, regência, e outros erros gramaticais imperdoáveis como a falta de pingos nos is não fosse o fato de que os is já são automaticamente pingados assim que digitamos no teclado e esse é apenas um ponto acima da letra, no caso, pingo em letra já seria outra coisa. Enfim, há não só na minha escrita, mas na escrita mundial um erro grave que é confundir correção gramatical com informação realmente pertinente para toda a sociedade.

Pensei nas palavras rombo, déficit, conselheiro e me pergunto o que elas significam para um problema financeiro. Será que a frase anterior era para ser concluída com interrogação ou sem? Devemos atentar para o uso dos pronomes? Interrogações e reticências: ? … Ponto final?

Sei lá, penso que escrever é um trabalho intenso de pensamento aliado a coisas do tipo onde devo colocar a crase? Na letra ou no pensamento que tento transmitir com palavras tão claras como conversar com alguém de maneira tão simples que as coisas se resumem apenas a questões de mera ortografia. No que diz respeito à política aí coloco crase e ainda assim com medo ou tédio de pegar numa gramática enquanto converso com o teclado do computador ou na frente de amigos qual é a importância do dizer quando o que se quer é o fazer? Vale mais, muito mais o erro, a tentativa, do que apenas trocar palavras, pois se concordo com o título da matéria apresentada acima no jornal, todos os leitores são capazes de tirarem suas opiniões.

Para terminar deixo aqui uma espécie de brincadeira com a última parte do poema de Drummond de Andrade, “Aula de português”:   O português são dois, o rombo (na Petros), mistério.”

Ou, melhor resumindo tudo o que disse acima, poderia dizer que concordo com o título dado à matéria e não gostaria que os políticos tivessem a mesma atitude que tenho na hora de consultar gramáticas e dicionários, pois independentemente de estarmos certos ou não no falar e escrever corretamente, pelo menos a tentativa de buscar a forma simples de dizer ou de conduzir uma instituição com clareza financeira já é um bom caminho inclusive para que os cidadãos, nós, vejamos que pelo menos estão buscando o caminho para solucionar os problemas que aparecem, até porque, brincando mais uma vez com frases famosas de autores de poemas também famosos “tudo vale a pena se o rombo não é pequeno”.

E para terminar mesmo, deixo aqui um comentário que fiz nesse blog  https://milpalavraspordia.wordpress.com/2015/05/23/inexistencia/ (só para deixar dois posts em um só):

O que você, no texto, parece desejar é não ser, mas é algo impossível pois não sendo por decorrência lógica desse pensamento, não ser acarretaria apenas ser novamente, só que de outra forma. É impossível não ser. Tudo possui uma essência, até mesmo o conceito de nada só é o nada por causa da noção culturalmente aceita de sua essência. Seja e você será, deseje ou des-seje e você continuará sendo. Ser é independente de etimologias, essências, palavras, filosofias ou metafísicas.

Anúncios

Seja você!

Na dúvida de como começar um vídeo? Seja você mesmo. Isso pode te ajudar a descontrair no caso de não ter feito um roteiro ou uma lista de tópicos com palavas-chave. Muito provavelmente irá cometer menos erros no ato da gravação como mudar de assunto de repente e repetidas vezes, gagueiras, enfim, pode acontecer de tudo, até mesmo aquele carro que passa vendendo ovos, pamonha, gás de cozinha, Iphone XS Max, tudo isso sendo anunciado através de um alto-falante trio elétrico que faz você se sentir como se estivesse numa espécie de “boate” de vendas, ou junto do motorista desse veículo incômodo e barulhento que parece adivinhar a hora que muitos youtubers estão gravando e aparecerem bem nessa hora.

O vídeo abaixo mostra (acredito que seja um exemplo de como gravar vídeos pra internet) como gravar vídeos pra internet, sim, eu repeti praticamente a mesma frase, ou parte dela.

Dicas de como gravar vídeos pra internet:

. Seja você mesmo; isso te ajuda a descontrair e a criar uma identificação com seu público, ou não! Lembre-se que você não é um personagem, o foco principalmente quando um canal de vídeos é aberto na internet é saber o que você quer mostrar nos seus vídeos. Se estiver pensando em criar um personagem pra se descontrair diante das câmeras isso poder ser bom, mas sem exageros;

. Fale sobre você e do que sabe fazer de diferente, especial, ou que nem sabia que outros também sabiam fazer ou que só você sabe fazer.

. Hoje em dia está em alta os vídeos sobre a rotina. Mostre ou fale sobre sua rotina de estudos, de trabalho, enfim, mostre como você organiza suas tarefas diárias;

. Eu poderia dar muitas dicas, é sério! Sei de muitas maneiras de se sair bem em relação a gravar vídeos e sempre há, claro, aquela distância entre só saber e saber e fazer. Eu ainda não tenho um canal, mas quem sabe um dia eu crie um?

. Finalmente a dica mais importante: não tenha pressa! Mas pressa de quê? De ter muitas pessoas acessando seu canal, muitos comentários e etc. Um ponto importante que já vi muitos youtubers de médio e grande porte (são canais entre 50 000 até muito mais que 1 000 000 000 de inscritos, estimativa baseada na minha observação, de acordo com os canais que costumo assistir) falarem que tudo demora, leva muito tempo, tudo deve ser feito por prazer e não pela pressão psicológica de um público invisível e, o mais importante, é tentar obter um aprendizado e criar uma rede sólida de amigos que compartilhem de uma mesma paixão. Que paixão será essa? Só você pode descobrir, pois todo mundo tem algo interessante pra compartilhar com o mundo.

A seguir deixo um vídeo que assisti a algum tempo e achei muito engraçado. Acho que pode servir como inspiração.

Estrelas

eu te amo até
nos teus mínimos trejeitos,
amo os defeitos
que te trouxeram a mim

do lado oculto da lua está
aquilo que ao coração faz sentido
e põe a gente a gritar

muita guerra, muita luta
a força bruta do caos da paz
trazida pela luta silenciosa e fugaz
de amar sem paz na sublime conduta solitária de sofrer por amar assaz

Te falei no deserto das emoções e nos oceanos de águas rasas
que brotaram no olhos
quando
não há nada a dizer,
nada a fazer posto
que só o que é inexplicável dá asas pra entender o indizível
o invisível
o infalível
e que nunca foi escrito em hieroglifos,
mas foi passado pra mim e você
e é presente em nosso olhar
apesar de a centelha do desejo ter explodido a tempos imemoriais
aquela luz ainda está lá
no nosso olhar
quando damos as mãos e morremos
em paz
de amor
supernovos
suspensos
em nosso ar
imensos
como orgulhosos exemplos
registrado na fotografia celeste
que solidão agreste
não conhece
nem ilumina

 

5 dicas literárias

1. A primeira dica é uma resenha feita pela autora do blog R.izze.nhas sobre o livro Canção de ninar da Leïla Slimani. Deixo o link aqui pra quem quiser conferir a resenha. Esse livro está me agradando bastante, gostei simplesmente.

Capa de Canção de ninar

2. A segunda dica é o livro Entre laços e sapatosFania Benchimol (Texto) & Fernanda Massoti (Ilustração), um livro que mostra como as distâncias não desatam os nós da amizade.

Entre laços e sapatos

3. A terceira é o livro O berço dos super humanos, de Arthur Charles Clarke. O livro conta  que em

“uma gruta submarina vigiada por baleias em transe. Um míssil desaparecido. Trilhas no fundo do mar. Um tridente que muda de aparência. Um planeta misterioso com dois sóis e três luas. Três aventureiros que participam das experiências mais eletrizantes para desvendar mistérios num romance co-assinado por um dos autores da premiada série televisiva “Cosmos”.”

Fonte: lelivros.love

Também estou lendo esse livro e estou gostando muito. Arthur C. Clarke é um autor incrível. Já Bert Gentry Lee, trabalha como engenheiro e também é autor de ficção científica.

4. A quarta dica é a Coleção História Geral da África (em português), disponível em .pdf no site da UNESCO  e o download é gratuito.

Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Fonte: unesco.org

 

5. Pra terminar, deixo esse livro incrível como dica pra aqueles que realmente querem ler algo interessante e não apenas publicações da moda. O livro que falo é Sobre a Escrita de Stephen King.

Eleito pela Time Magazine um dos 100 melhores livros de não ficção de todos os tempos e vencedor dos prêmios Bram Stoker e Locus na categoria Melhor Não Ficção, Sobre a escrita – A arte em memórias é uma obra extraordinária de um dos autores mais bem-sucedidos de todos os tempos, uma verdadeira aula sobre a arte das letras. 
O livro também não deixa de lado as memórias e experiências do mestre do terror: desde a infância até o batalhado início da carreira literária, o alcoolismo, o acidente quase fatal em 1999 e como a vontade de escrever e de viver ajudou em sua recuperação.

Fonte: companhiadasletras.com.br

Enfim, esse é um dos livros que estou lendo e ainda não terminei. Se você gostou, no próximo mês tem mais dicas. Se quiser deixar a sua também, vou adorar e a sua sugestão poderá ser uma das próximas.

 

 

 

 

 

 

 

 

A estampa do bordado

A imagem se torna o centro das atenções cada dia passado. Entretanto, ninguém sabe o que será feito de proveitoso com tanta informação imagética disponível. O livro, serve como exemplo, a sua imagem enquanto objeto e também as imagens que contém como a da capa e ilustrações diversas que podem ou não estarem contidas nele eventualmente informam ao mesmo tempo em que fora de contexto nada dizem, principalmente capas de livros com fotos de pessoas.

Devo dizer que particularmente não gosto muito de capas de livros com “fotos” humanas. Porém, livros com qualquer tipo de ilustração me agradam bastante. Geralmente uma ilustração faz companhia ao título de um livro e somente depois que o livro foi completamente lido pode ser percebida a intenção por trás de toda diagramação escolhida.

As cores, informações tipográficas e todo tipo de arte gráfica fazem parte apenas desse aspecto e não é o que tornará uma obra literária um sucesso de vendas e sim, devo me arriscar a dizer, seu teor universal e atemporal que contribuirá com uma interpretação contemporânea de determinado autor sob o tempo em que vive. Essa contribuição ficcional deverá esperar um tempo, um distanciamento histórico para que se perceba sua originalidade e poder de influência. Como exemplo posso citar qualquer obra de Shakespeare ou Machado de Assis, e, não querendo deixar de fora as mulheres, cito e deixo como recomendação literária “Um teto todo seu”, de Virginia Woolf.

Repetindo o que disse acima será somente o conteúdo da obra que pode ou não fazer sucesso visto que um livro ruim nunca se tornará um sucesso só por causa da capa bonita ou outros aspectos gráficos. O sucesso depende de um atendimento do desejo daquilo que a massa letrada gostaria de consumir e o aspecto mimético realizado entre a ficção da obra e a realidade ficcionalizada que pode facilmente ser percebida pelo corpo de leitores que só poderão julgá-la boa ou ruim conforme seus gostos individuais.

Não sendo os leitores obrigados a apenas consumir livros, principalmente quando for negativamente avaliado por muitos leitores, posso dizer que o fracasso não foi total, mas que seu sucesso foi seu fracasso. Mesmo gerando críticas, pelo menos o livro foi comentado. Isso também deve ser levado em consideração: o que vale mais, um best seller, ou um livro “estranho”, “polêmico”, divisor de opiniões e daí por diante?

BANKSY
postais com artes de Banksy
projeto baseado no livro “Guerra e Spray”. impressão 4/4 cores em papel cartão supremo 300g.

Tudo pode ser lido e interpretado bastando apenas que esteja registrado em algum meio físico. Na imagem acima observamos uma mensagem que foi enviada com uma intenção. O aspecto simbólico de ataque e fragilidade pode ser resumido na ideia central da imagem  que é a de atacar com a força das coisas belas um mundo frágil com “máquinas” imponentes.

 

Concluindo, mais vale entreter ou divertir. Credito que um ser de intelecto razoável se entediará com coisas bobas, mas aquele escritor que criar uma espécie de epopeia na qual todos se identifiquem e encontrem um valor individual, único, aí sim, a leitura terá seu valor de intrínseca (tinha que fazer essa brincadeira, mas não estou sendo patrocinado, ok?) originalidade, graça e valor como obra de exemplo e não apenas como objeto e obra de consumo e para consumo.

As imagens acima são do site da

ALINE RIBEIRO, que é carioca e flamenguista. Amante do Rio e de muitas outras coisas.
Viveu em Dublin, na Irlanda, se cansou do frio, e após viajar pelo mundo em busca de overdose
de cultura, encontrou seu lugar em Cascais, Portugal, onde vive atualmente.
Não vive sem música e seu passatempo preferido é fotografar sem nenhum profissionalismo.
Trabalhou como Designer na Editora Intrínseca, por 8 anos, desenhando desde
peças institucionais e campanhas de marketing a mobiliário e projetos de estandes.
Um sonho simples: trabalhar de havaianas sentindo cheiro de pó de madeira.

Mais umas imagens dela:

pois é …

 

In tenção

 

Ali, uma pintura se contorce,
a escultura se aprimora e não quebra,
pois a tensão é o momento que a arte intenciona exprimir.

Parte da arte embate, não quebra e volta, e dança num ritmo
alucinante que não acaba.

A dança expressa na tensão,
essa é a intenção que todo artista
tenciona dar ao seu corpo artístico,
tensionado,
num momento intencionado.

Imagem: David Hofmann on Unsplash, “Juliet is a very dedicated hard working dancer. Her flexibility is just stunning.”