Eu sou rio

Eu sou o que sou e pronto. Eu sou o que sorrio. Sou o que só ri. Sou o que sou e pronto. Atestado isso em mim, também constato que posso ser outros, mas que também os outros só podem ser os outros. Então, eles mesmos sendo eles mesmos, só poderão ao longo de suas estranhas vidas serem estranhos e alheios para minha maneira de ser, que muda sempre, e reciprocamente assim se dá tão módico fato.

Presto atenção nas árvores, nas montanhas, em como nosso pensamento esbarra em querer pintar telas com a tinta que carregamos dentro de nós em determinado momento de nossas vidas. Que sou eu se não eu mesmo? Tantas pessoas passam e o sol é ainda o mesmo. Ainda não inventaram outros sois.

Quero sorrir, mas o que sou não permite. Aquela frase de felicidade quero que lha deis a quem merece. A paz, a poesia, desejo que as rasgue e comece a guerra: para com tudo isso faça uma bola de papel e jogue no lixo. A guerra é presente e a paz não é reciclável. A poesia corre no meu sangue, pois a vida é sempre da cor de arrebóis.

Eu sorrio
sou rio
só rio

com você quero
rir do que sou
teu riso espero

sou o rio
mas em você navego
eres meu porto

seguro cais
caminho puro
de imensa paz.

Anúncios

Instantâneo

Que a todo momento fique registrado apenas o que for bom. Desejo profundamente que as pessoas saibam ler. Quero que entendam que quando digo instantâneo quero dizer que se deve registrar o momento. Sejam palavras, imagens, sons, vamos deixar registrado na memória como num instantâneo, as nossas melhores recordações, nossos melhores auto-retratos.

O dia é instantâneo, simplesmente acontece. Da mesma forma nós também simplesmente acontecemos, mas não sabemos o nos deu ou causou em nós o impulso de acontecer.

***

Hoje deixo, a seguir, a playlist de Janeiro de 2018, a última, pois ninguém comenta em pesar curtirem alguns, outros nem estão aí pro que digo ou até tentam copiar e colar, mas se isso sucede, não conseguem falar por si mesmos, nem por mim. Dizem por aí que muitos textos são atribuídos à escritores famosos, mas sem comprovação. Mesmo que Camões esteja escrevendo até hoje, Chopin esteja compondo ou qualquer outro famoso de qualquer área em que se tenha destacado, quero dizer que aquele que deseja criar algo destaque antes a si mesmo.

Deixo, enfim, ao final, um vídeo com a música heart is a melody of time de Pharoah Sanders, que não encontrei no Spotfy.

 

Onde estamos no mundo?

Me lembro de sempre estar no deserto quando vou pra qualquer lugar aqui no Rio de Janeiro. Cada pessoa parece ser um grão de areia e uma multidão uma duna. Nunca fui pro deserto, pois parece que ele está em cada um de nós. Penso que na verdade nem é preciso irmos para estarmos em algum lugar. As vezes podemos estar no coração de alguém e talvez nem nos demos conta disso. Outras vezes outras pessoas podem estar querendo estar em nosso coração para talvez um passeio turístico permanente.

***

A minha primeira coleção de gibis começou com um do Tio Patinhas. Tive muitos gibis: Pato Donald, Mickey, Zara, Zé Carioca, Ford, Fantasma, Calças Jeans Surrada De Tanto Usar, Coração Partido, Eu, Solidão, Vazio Existencial, O Menino Maluquinho, Literatura Comentada sobre Castro Alves, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, e Monteiro Lobato, Almanaque Da Turma Da Mônica, Capitão América, Urtigão, Recruta Zero, Certas Revistas, Outras Coisas & Muito Mais e Cia.

Enfim, até hoje sem grandes amores, mas somente aquelas paixões de rua momentaneas que duram alguns segundos ou minutos ou até o momento em que a pessoa desce do ônibus e da sua vida. Outras sempre entram nesse coletivo da vida diária … Pegamos-lo sem saber pra onde ir ou pra onde vai? Não parece que nos é dado a opção de perguntarmos ao motorista. Essa última frase poderia ser uma letra de música? De que cantora (pensei em cantora)? Acho que da Ana Carolina, certamente.

***

Hoje deixo um vídeo da Dani Noce que mostra um pouco Route 66. Abaixo deixo um mapa e o vídeo em seguida.

 

Hipóteses de vidas

Quando paramos pra pensar nem percebemos que não paramos de pensar. A vida se manifestaria primeiramente nos nossos pensamentos. Em seguida eles se concretizariam em ações.

Sempre parto do princípio de que quando se pensou já estava inevitavelmente criado. Por essa forma de pensar fica fácil perceber que, se existimos então fomos pensados por alguém.

Uma hipótese seria a de que existiria um pensamento que permearia tudo no universo. Esse pensamento em escala muito maior que a astronômica e muito maior e incompreensível do que nossa imaginação possa conceber estaria em sintonia com tudo e funcionaria, na sua menor escala, como os elétrons em torno de um núcleo atômico. Esse movimento sempre circular seria o mesmo em escala maior que movimentaria energia suficiente para formar as galáxias como a nossa, por exemplo.

Esse movimento sempre circular mostraria as escalas de força e as dimensões das nuvens elétricas que permeariam os vários mundos criados ou destruídos a cada escala de tempo decorrido determinado.

Já outra bem conhecida é a das escalas eletromagnéticas. Essa já já toca muito em certo ponto a nossa realidade e possui provavelmente estudos das áreas das ciências que comprovam e provam as várias dimensões matemáticas no espaço, inclusive se não há nem mesmo o espaço e o tempo como conhecemos.

Enfim, já em reportando-nos aos postulados da vida inteligente em outros lugares do universo o certo a se dizer sempre será que ela, a inteligência vital e criadora, está em tudo e em todos os lugares.

Um rio sem margem

Inicialmente em algum lugar o rio tinha um início e se estendia desde seu início até a continuidade desse início.

Rômulo Pessanha (fanzine marginal)

Hoje venho trazer mais um post do blog skrautskrift (fora do ar). Pra escrever essa história me inspirei no conto do Guimarães Rosa “A partida do audaz navegante“, do seu  livro Primeiras Estórias.

Precisamente não me lembro de nada desse conto. Preferi ficar apenas com as maneiras de falar das personagens, e é claro que nunca chegarei aos pés de um Guimarães Rosa. Algumas palavras também tirei desse mesmo conto do autor.

***

 

Viajantes

Sinopse: duas crianças acostumadas a fazerem longas viagens espaciais acabam encontrando o planeta Terra em seu estágio final de deterioração e não há mais ninguém habitando o lugar antes azul e cheio de vida e que  hoje se encontra nas tonalidades ofuscantes das areias quentes do deserto do Saara, que é o que todo o planeta mais se parece agora. Ao fim da visita ao planeta, Lanai e Joris descobrem o verdadeiro tesouro da vida: o amor.

Ao amor e além.
Rômulo Pessanha (postado em 03/06/2016 no blogue skrautskrift: significa caligrafia em islandês)

Lanai: esse planeta é solidão, é tristeza total, só que do lado de fora da gente e em toda parte.
Joris: será que tudo sempre foi assim. Assim quente, sem ninguém, sem vida?
Lanai: acho que pode ser igual a nossa vida ou a vida das pessoas até encontrarem o seu oásis, um ponto final que se apresentaria aos nossos sonhos como imagem diáfana, real, impalpável como as areias deste inóspito lugar.
Joris: certamente a vida é como areia. É palpável, maleável gozo, instante de ventura e criação.
Lanai: jogaremos um jogo então?
Joris: iremos. E em que consiste?
Lanai: você seria um cavaleiro em busca de aventuras e eu seria aquela que cuida da paz, a jovem donzela das forças sagazes daqueles que fazem as pazes.
Lanai: então, que comecemos as escaramuças.
Lanai: mas que figura altaneira e impávida seria aquela a se aproximar do alto daquele monte de cinzas arenosas?
Lanai: sim, é a figura do destemido cavaleiro, afrontoso e aventureiro, nascido desde tempos primordiais de sua gênese imemorial para encontrar sua princesa linda e bela, a qual dedicará sua vida, e somente a ela ser leal, para viver em paz celestial esse amor se fará eternizado na forma de luz a brilhar, a viajar, mostrando que mesmo após, ainda haverá o depois e sucessivamente assim.
Lanai: Quem vem  altaneiro cavaleiro, lá? Ah! Sim! Morro abaixo, tu, cavaleiro, alto! Tremei!
Joris: sou muito conhecido o destemido e o desconhecido é meu prazer. Sangue nas vestes, suor nos cabelos emaranhados pelo tormentoso vento quando a ventar está, me direciono aos caminhos por onde há tormenta. Quanta vida jogada fora, vidas desperdiçadas em maneiras escaramuçadas. Quero a ventura e toda sua graça para que a vida seja luta, mas sem guerra inglória e sem desgraça.
Lanai: oh, dorado cavaleiro, conquistaste meu coração com tão honesto falar, belo, se elogio, antes seria tão lisonjeiro de o receber. Terminemos as guerras. Ninguém quer elas.
Joris: Lanai, veja, uma construção.
Lanai: o que seria?
Joris: veja essas figuras na parede.
Lanai: douradas.
Joris: e por trás das imagens das crianças aladas?
Lanai: não sei.
Lanai: venha, vamos ficar aqui fora, temos que ir embora já está ficando muito tarde. Até a tinta azul que coloquei no meu cabelo parece estar derretendo.
Joris: Eu gosto dos seus cabelos vermelhos, são tão bonitos, não sei porque você usa essa cor.
Lanai: é porque está na moda, você não entende. Todas as garotas estão usando agora.
Joris: Lanai, eu tirei isso da bolsa de minha mãe, quero que você use, que fique com você, lembrança de nossas viagens, uma tira de camurça, macia, no tom arenoso de nossa pele, solitária, acompanhante dos sutis viajantes, percalços na pele são os sentimentos do amor, penso eu.
Lanai: muito obrigada, Joris, delicadeza sua, mas sua mãe não notará?
Joris: não me importo, o mais importante é pensar em você.
Lanai: agora me sinto mais quente que essa areia. Venha Joris, tive uma idéia, quero me despedir deste lugar antes de irmos!
Lanai: Joris, fique do meu lado e contemple a luz branca que flui do alto desta abóbada, esta construção é maravilhosa, não acha? Pesando estar destruída e abandonada, é linda. Vamos embora.
Lanai: estou com medo!
Joris: eu estou aqui!
Lanai: porque estamos de mãos dadas?
Joris: acho que fizemos uma descoberta:*(observação).

 

*Observação: a partir desse trecho eu não consegui terminar a história.
Continua …

O mundo que pode ser lido

Atualmente vivemos numa explosão de publicações de livros de todos os tipos. Muitos autores, muitas editoras e provavelmente, porém, nenhum novo clássico.

Quantidade não significa qualidade, mas todo mundo gostaria de ter escrito pelo menos um livro na vida. O livro possui uma aura de respeito, de importância que nenhuma tecnologia atual conseguiu por enquanto substituir.

Curiosamente o livro enquanto objeto físico utiliza muito das tecnologias recentes sem perder sua característica de ser um objeto físico, de papel e que pode ser lido sem ligar numa rede elétrica.

Quanto ao conteúdo, os livros foram transpostos para aparelhos de leitura para aqueles que possuem muitas obras e desejam armazenar uma grande quantidade de informação num único e pequeno objeto.

Muitas obras importantes já foram escritas. O importante não é tudo que já foi escrito, mas ler aquilo que modificou internamente o leitor e o fez pensar de algum modo. Ainda que todos os habitantes do planeta escrevessem um único livro, ainda assim, ninguém conseguiria ler o livro que cada um escreveu.

Quantidade de livros lidos não significa qualidade. O importante é o acervo que conseguimos montar ao longo de nossas vidas. Mesmo que só tenhamos lido um único livro o mundo já está descoberto e desvendado em todos os seus mistérios. O importante é sabermos que nada sabemos, e que, aos poucos, os dias que passam são como folhas de uma nova página das nossas vidas. A leitura, a escrita e a vida são coisas únicas e subjetivas.

A seguir deixo dois vídeos do que considero o melhor canal literário até o dia da postagem deste post.

Carmem Lucia é bibliotecária e também é formada em letras. As suas leituras são substanciosas e com argumentos certeiro, capta a verdade de cada obra que lê. As suas resenhas são riquíssimas e recomendáveis para aqueles que querem aprender a fazer as suas.

Inicialmente queria deixar somente o vídeo dela falando sobre o livro Grande sertão: veredas, mas depois ao assistir o vídeo em que ela fala do Banquete, de Platão, achei que esses dois livros podem ser estudados comparativamente, na minha opinião parece haver uma relação entre a obra de Guimarães Rosa e a de Platão e certamente entre várias outras também.