Nas ondas da amizade

Num blogue antigo me lembrei que tentei fazer um poema. Era pra ser um poema que falasse muito mais das coisas melancólicas e tristes e daí por diante, mas por algum motivo saiu assim.
Também não sei a razão que me fez dar esse título ao poema. A parte mais triste dele talvez seja o próprio título. Enfim, saiu e até que gostei do resultado final, mas fico sempre com aquela sensação de que ainda falta algo.
Gostei principalmente do final dele. Me faz pensar no quanto de vazio é dito hoje em dia pra que se consiga algo. Seja um elogio, um comprimento pra alguém na rua, ou até mesmo uma cantada o fato é que parece não haver conteúdo verdadeiro de afeto nas comunicações entre as pessoas.
Lágrimas são tão mais cheias de verdade, aquela verdade que só aquele que sofre sabe, do que aquele sorriso de quem pensa ser feliz. No mundo em que vivemos a felicidade e a tristeza fazem parte de que uma só pode existir conforme saibamos da existência da outra e que saibamos aproveitar com sabedoria a paz e o nosso inferno cotidiano.
Assim, como um rio sói levar as águas pra longe a vida nos leva as lágrimas pra trazer-nos risos, sorrisos e amigos que, antes de ficarem parados admirando o que não pode ser mudado, nos auxiliam a nos tornarmos melhores na graça e na desgraça. Amigos que só o tempo sabe fazer unir como águas de rios que se encontram com o mar e jungem tudo o que encontrou no seu caminho pra oferecer de volta pro mundo  tudo o que aprendeu até ali através de outras correntezas como as do oceano: nunca tão fortes como as da amizade, porém …
Depressão
Amanhecer
tudo começa
no amanhecer
o acontecer
acontece
e começa
fazer
a vida acontecer
tecer
fazendo da vida
aquilo
de que ela é tecida
de texturas
iluminuras
da natureza
de natureza desconhecida
intuída
mesmo que o orvalho
das plantas no amanhecer
não clareiem nosso ser
como borrões em nosso itinerário
diante de tanta pintura
a cor escura
da dor
que só quem sente pode ver
que sempre há um amanhecer
do outro lado da dor
uma cor
começa amanhecer
pois é preciso anoitecer
para sarar a dor
mudar de tom
e ver
que a intenção da cor
é registrar na flor
ainda em botão
a mensagem lançada
na escuridão
que a vida
é eterno amanhecer,
pois até na penumbra há cor
e a vida é eterno florescer
e a quietude sem luz
o momento de adormecer
para a dor esvaecer
e transformar
a cor
para que se possa ver
a dor
indo noutra direção
como sim em não
transformados
todas as dores
em imenso
ramo de cores
intenso e perfumado
das profundezas das emoções
de que somos criadores
das profundas criações
dando cor aos corações
ampliando amores
tons
de corações que batem
multicolores
no coração
os sons vem das cores,
pois a coloração
daquilo tudo
que podemos sentir
está no coração
e doer é existir,
mas a vida, essa sim,
é eterno florir
a tristeza é profunda
sentimento necessário para a alegria
a depressão é apenas uma palavra
e enfeita paginas vazias
mas a vida
essa sim
ainda que no papel
sempre estará por ser escrita.
Anúncios

Fé no amor

Minha vida
meu amor
meu calor da tarde

o mundo em seu coração
e o meu no seu
é minha atenção

nem posso te ouvir
mas sabemos que somos iguais
quando batem os nossos corações

o homem e um cão
não sabem conversar
se não for em vão

o vão da razão ao cair da tarde
cada um, cão e homem, procuram
a cara metade

para unir manhã e tarde
homem e mulher de corações unidos na noite
e ficarem juntos ao cair da tarde

beira do mar
meu coração de amor arde
porque o dela como um mar o meu invade

e a noite ela desaparece
mas nem tudo é ilusão
se sinto
posso fazer uma canção
cantar o amor é a minha prececlark-adams-473378

Hipóteses de vidas

Quando paramos pra pensar nem percebemos que não paramos de pensar. A vida se manifestaria primeiramente nos nossos pensamentos. Em seguida eles se concretizariam em ações.

Sempre parto do princípio de que quando se pensou já estava inevitavelmente criado. Por essa forma de pensar fica fácil perceber que, se existimos então fomos pensados por alguém.

Uma hipótese seria a de que existiria um pensamento que permearia tudo no universo. Esse pensamento em escala muito maior que a astronômica e muito maior e incompreensível do que nossa imaginação possa conceber estaria em sintonia com tudo e funcionaria, na sua menor escala, como os elétrons em torno de um núcleo atômico. Esse movimento sempre circular seria o mesmo em escala maior que movimentaria energia suficiente para formar as galáxias como a nossa, por exemplo.

Esse movimento sempre circular mostraria as escalas de força e as dimensões das nuvens elétricas que permeariam os vários mundos criados ou destruídos a cada escala de tempo decorrido determinado.

Já outra bem conhecida é a das escalas eletromagnéticas. Essa já já toca muito em certo ponto a nossa realidade e possui provavelmente estudos das áreas das ciências que comprovam e provam as várias dimensões matemáticas no espaço, inclusive se não há nem mesmo o espaço e o tempo como conhecemos.

Enfim, já em reportando-nos aos postulados da vida inteligente em outros lugares do universo o certo a se dizer sempre será que ela, a inteligência vital e criadora, está em tudo e em todos os lugares.

Realidade aquarelável

Uma coisa que me chama a atenção nas aquarelas é a plasticidade das cores. Nada se parece mais com o nosso mundo interior como as pintures criadas com essa técnica. Escrevi, melhor dizendo, digitei errado a palavra pintura, pensei em apagá-la mas percebi que parece uma aglutinação mal feita das palavras pinturas e pictures, deixei  assim porque aqui, mon ange, o subconsciente é quem manda.

Abaixo a ilustração é de Lora Zombie e amo muito toda ela. Essa ilustradora Russa foi um achado incrível pra mim. Ela une crítica, subconsciente e outros elementos das técnicas em aquarela com alguns detalhes que só tinha visto em formato vetorial.

Falando nisso depois irei em outro post falar sobre a diferença entre escrever e digitar, e entre pintar com as mãos e pintar com ferramentas e softwares específicos.

A garotinha na figura abaixo diz: “ama tudo isso agora?” enquanto o personagem símbolo da marca vomita.

Os personagens Disney possuem uma aura sinistra. São tão bem elaborados que ficamos pensando se eles existem em algum mundo paralelo ao nosso. Mesmo que o mundo real seja um inferno, a infância da atualidade ainda recebe a oportunidade de adultos e crianças serem crianças.

O herói americano salva o mundo, ou o dissolve em ruína e morte? Não se constrói um império sobre caveiras. O herói aqui representado por Mickey celebra a guerra pela infância, ou a infância estaria sendo morta? Diante de uma bandeira em frangalhos num ambiente mórbido e tóxico o mundo infantil estaria mascarado? A felicidade seria fábula? Pelo menos por enquanto entre bombas e corrupções,  no nosso pobre mundo real, ninguém é feliz pra sempre.

 

mickey

Abaixo, na imagem, pensei que era o Freud sendo beijado por gansos, mas na verdade parece que é Tchaikovsky, talvez uma referência a sua obra Lago dos Cisnes.

Quanto aos gansos ou cisnes, pelo menos pelo Google tradutor, swan significa cisne, tanto em francês quanto em inglês. Me levando a pensar No caminho de Swan,  de Proust, que por sua vez no caminho do cisne, ou no caminho do poeta, que seria uma outra significação para essa palavra. Proust em no Caminho de Swan, coloca um personagem que parece sentir a falta do beijo da mãe, sentindo ciúmes dela porque outra pessoa está competindo ou impedindo que ela tenha o beijo de boa noite da mãe só pra ele.

Repare que dois gansos colocados de frente formam um coração, a criança em Proust estaria sem a sua metade no amor e o caminho escolhido por Proust é o do poeta: curvo, com ondulações, nunca indo direto ao ponto, por mais que a objetividade seja direta ela nunca será mais direta que a subjetividade do poeta quanto mais ele não diz as coisas como elas são, mas como elas estão dentro de si, culminando em flores no momento do chá, imagem que lembra muito as coisas das imagens pintadas em aquarela, plasticidade  que parece ser elevada ao praticamente infinito nessa forma da pintura.

Essa daí a seguir não tem como não rirmos dela. Todo mundo parece gostar de zoar um pouco o Homem-aranha. E se você for parar e pensar, ele baila nos arranha céus ao som da música tema: Spider man. Imagine ele soltando teias e com aquele saiote de bailarina. Aliás, imaginem ele saltitando entre os prédios com a música  tema  dele no ritmo de Lago dos Cisnes.

Enfim, para a ilustração abaixo dei o nome de “Homem-bailaranha”. Acho engraçado a maneira com que zoam e fazem memes com ele.

Na figura de baixo está escrito: “Todos os seus amigos são falsos”.

 

O que devemos pensar do conceito de amizade hoje em dia? Os amigos são aqueles que se fazem presentes, mas não devemos enlouquecer achando que eles, e nem mesmo nós, devemos ficar grudados o tempo todo um no outro.

Amigos são presentes? Brinquedos não são. Alguns seriam os pequenos ursinhos amigos de urso na vida da gente e nós é que acabamos virando brinquedos nas mãos de muita gente. Amizade e gente não são brincadeira.

Amizade é coisa rara. De certa maneira ela pode ser cultivada em toda parte. Uma maneira de conseguirmos bons amigos é sermos sempre honestos, enfim, verdadeiros e, claramente devemos ter nossa privacidade, mas isso já é assunto pra outros debates. Precisamos ser de verdade pra nós mesmos e não a verdade que os outros criam sobre nós.

“Não lhe direi as razões que tens pra me amar, pois elas não existem. A razão do amor é o amor.” O pequeno príncipe.

Eu chamo essa imagem de “Amy Paintyhouse” de brincadeira com o nome dela. A cantora talentosa nos deixou a voz como uma estrela que mesmo após ter se extinguido ainda deixa sua luz chegar em lugares distantes de nossa alma.

Coisas incríveis acontecem bem perto de nós e nem percebemos que a maior pesca que pode haver na vida é a tentativa.

Seria uma mancha com uma forma feminina ou seria uma menina atrás do lençol realmente? No entanto é só um desenho. Mas o que os olhos veem é sempre a realidade?

“Olá senhor bosta”; “Olá, bosta de fotógrafa”. Esse seria um daqueles momentos em que a coisa desenhada (a bosta) coisifica a personagem humana figurada na imagem de uma menina com uma máquina de fotografar?

 

Quando estamos tristes a nossa imaginação é o que resta para sairmos de momentos difíceis. Sejamos imaginativos de maneira que para cada não que a vida nos dê, criemos vários sins.

A nudez humana consiste em ser livre pra voar e se adaptar aos fios da modernidade.

O ateliê do artista é a sua colmeia e sua arte o seu mel. Operárias são todas as suas inspirações e a rainha a sua ideia materializada na obra de arte que vier a produzir.

Essa é a Mulher Maravilha sendo humana. A maravilha da Mulher Maravilha é que na imagem ela está descontraída mostrando seus super poderes de fazer caretas como toda criança. Ainda que os super-heróis sejam incrivelmente fortes ficcionalmente suas características humanas são o que talvez mais fortemente encanta adultos e crianças.

E, para terminar, deixo a seguir algumas imagens da autora das ilustrações que apresentei acima.

Lora e seu catiorineo.

Lora e seu vestidineo de pilulas.

Lora, passarineo e ratineos.

 

 

 

 

 

 

Um rio sem margem

Inicialmente em algum lugar o rio tinha um início e se estendia desde seu início até a continuidade desse início.

Rômulo Pessanha (fanzine marginal)

Hoje venho trazer mais um post do blog skrautskrift (fora do ar). Pra escrever essa história me inspirei no conto do Guimarães Rosa “A partida do audaz navegante“, do seu  livro Primeiras Estórias.

Precisamente não me lembro de nada desse conto. Preferi ficar apenas com as maneiras de falar das personagens, e é claro que nunca chegarei aos pés de um Guimarães Rosa. Algumas palavras também tirei desse mesmo conto do autor.

***

 

Viajantes

Sinopse: duas crianças acostumadas a fazerem longas viagens espaciais acabam encontrando o planeta Terra em seu estágio final de deterioração e não há mais ninguém habitando o lugar antes azul e cheio de vida e que  hoje se encontra nas tonalidades ofuscantes das areias quentes do deserto do Saara, que é o que todo o planeta mais se parece agora. Ao fim da visita ao planeta, Lanai e Joris descobrem o verdadeiro tesouro da vida: o amor.

Ao amor e além.
Rômulo Pessanha (postado em 03/06/2016 no blogue skrautskrift: significa caligrafia em islandês)

Lanai: esse planeta é solidão, é tristeza total, só que do lado de fora da gente e em toda parte.
Joris: será que tudo sempre foi assim. Assim quente, sem ninguém, sem vida?
Lanai: acho que pode ser igual a nossa vida ou a vida das pessoas até encontrarem o seu oásis, um ponto final que se apresentaria aos nossos sonhos como imagem diáfana, real, impalpável como as areias deste inóspito lugar.
Joris: certamente a vida é como areia. É palpável, maleável gozo, instante de ventura e criação.
Lanai: jogaremos um jogo então?
Joris: iremos. E em que consiste?
Lanai: você seria um cavaleiro em busca de aventuras e eu seria aquela que cuida da paz, a jovem donzela das forças sagazes daqueles que fazem as pazes.
Lanai: então, que comecemos as escaramuças.
Lanai: mas que figura altaneira e impávida seria aquela a se aproximar do alto daquele monte de cinzas arenosas?
Lanai: sim, é a figura do destemido cavaleiro, afrontoso e aventureiro, nascido desde tempos primordiais de sua gênese imemorial para encontrar sua princesa linda e bela, a qual dedicará sua vida, e somente a ela ser leal, para viver em paz celestial esse amor se fará eternizado na forma de luz a brilhar, a viajar, mostrando que mesmo após, ainda haverá o depois e sucessivamente assim.
Lanai: Quem vem  altaneiro cavaleiro, lá? Ah! Sim! Morro abaixo, tu, cavaleiro, alto! Tremei!
Joris: sou muito conhecido o destemido e o desconhecido é meu prazer. Sangue nas vestes, suor nos cabelos emaranhados pelo tormentoso vento quando a ventar está, me direciono aos caminhos por onde há tormenta. Quanta vida jogada fora, vidas desperdiçadas em maneiras escaramuçadas. Quero a ventura e toda sua graça para que a vida seja luta, mas sem guerra inglória e sem desgraça.
Lanai: oh, dorado cavaleiro, conquistaste meu coração com tão honesto falar, belo, se elogio, antes seria tão lisonjeiro de o receber. Terminemos as guerras. Ninguém quer elas.
Joris: Lanai, veja, uma construção.
Lanai: o que seria?
Joris: veja essas figuras na parede.
Lanai: douradas.
Joris: e por trás das imagens das crianças aladas?
Lanai: não sei.
Lanai: venha, vamos ficar aqui fora, temos que ir embora já está ficando muito tarde. Até a tinta azul que coloquei no meu cabelo parece estar derretendo.
Joris: Eu gosto dos seus cabelos vermelhos, são tão bonitos, não sei porque você usa essa cor.
Lanai: é porque está na moda, você não entende. Todas as garotas estão usando agora.
Joris: Lanai, eu tirei isso da bolsa de minha mãe, quero que você use, que fique com você, lembrança de nossas viagens, uma tira de camurça, macia, no tom arenoso de nossa pele, solitária, acompanhante dos sutis viajantes, percalços na pele são os sentimentos do amor, penso eu.
Lanai: muito obrigada, Joris, delicadeza sua, mas sua mãe não notará?
Joris: não me importo, o mais importante é pensar em você.
Lanai: agora me sinto mais quente que essa areia. Venha Joris, tive uma idéia, quero me despedir deste lugar antes de irmos!
Lanai: Joris, fique do meu lado e contemple a luz branca que flui do alto desta abóbada, esta construção é maravilhosa, não acha? Pesando estar destruída e abandonada, é linda. Vamos embora.
Lanai: estou com medo!
Joris: eu estou aqui!
Lanai: porque estamos de mãos dadas?
Joris: acho que fizemos uma descoberta:*(observação).

 

*Observação: a partir desse trecho eu não consegui terminar a história.
Continua …

O mundo que pode ser lido

Atualmente vivemos numa explosão de publicações de livros de todos os tipos. Muitos autores, muitas editoras e provavelmente, porém, nenhum novo clássico.

Quantidade não significa qualidade, mas todo mundo gostaria de ter escrito pelo menos um livro na vida. O livro possui uma aura de respeito, de importância que nenhuma tecnologia atual conseguiu por enquanto substituir.

Curiosamente o livro enquanto objeto físico utiliza muito das tecnologias recentes sem perder sua característica de ser um objeto físico, de papel e que pode ser lido sem ligar numa rede elétrica.

Quanto ao conteúdo, os livros foram transpostos para aparelhos de leitura para aqueles que possuem muitas obras e desejam armazenar uma grande quantidade de informação num único e pequeno objeto.

Muitas obras importantes já foram escritas. O importante não é tudo que já foi escrito, mas ler aquilo que modificou internamente o leitor e o fez pensar de algum modo. Ainda que todos os habitantes do planeta escrevessem um único livro, ainda assim, ninguém conseguiria ler o livro que cada um escreveu.

Quantidade de livros lidos não significa qualidade. O importante é o acervo que conseguimos montar ao longo de nossas vidas. Mesmo que só tenhamos lido um único livro o mundo já está descoberto e desvendado em todos os seus mistérios. O importante é sabermos que nada sabemos, e que, aos poucos, os dias que passam são como folhas de uma nova página das nossas vidas. A leitura, a escrita e a vida são coisas únicas e subjetivas.

A seguir deixo dois vídeos do que considero o melhor canal literário até o dia da postagem deste post.

Carmem Lucia é bibliotecária e também é formada em letras. As suas leituras são substanciosas e com argumentos certeiro, capta a verdade de cada obra que lê. As suas resenhas são riquíssimas e recomendáveis para aqueles que querem aprender a fazer as suas.

Inicialmente queria deixar somente o vídeo dela falando sobre o livro Grande sertão: veredas, mas depois ao assistir o vídeo em que ela fala do Banquete, de Platão, achei que esses dois livros podem ser estudados comparativamente, na minha opinião parece haver uma relação entre a obra de Guimarães Rosa e a de Platão e certamente entre várias outras também.