As indefiníveis certezas

Queria explicar-me aos homens primeiramente. Na verdade é melhor  que nos expliquemos a nós mesmos para que assim saibamos que a verdade está conosco. Dizer-nos e explicar-nos e tarefa difícil. Só nós sabemos o que somos e darmos satisfação de nós, sobre nós e algo tão impossível quanto querer abrir uma janela o olhar o futuro, depois-fechá-la e nos retirarmos para o conforto de um mundo fechado e dizer na paz de um silencio aterradoramente solitário: ele, o futuro está lá, me esperando.

Queria explicar-me com facilidade. Com aquela facilidade que como as coisas são. Ainda nem decifrei-me e ainda tento, ainda tentamos, todos nós, decifrar-nos. Dizer a verdade do papel do personagem da vida real é tão difícil. Apenas sei sou, sabemos que apenas somos. Sou como os outros? Somos os outros? Somos como os outros? Somos como os outros dos outros?

Com que palavras poderíamos dizer-nos com verdade quem somos? Quais palavras definiriam o que somos? Será melhor nem definir? Indefinir, talvez seja bom? Assim, conosco estaria  em nós a busca por ser, essa sim seria uma definição não limitante.

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O mundo que pode ser lido

Atualmente vivemos numa explosão de publicações de livros de todos os tipos. Muitos autores, muitas editoras e provavelmente, porém, nenhum novo clássico.

Quantidade não significa qualidade, mas todo mundo gostaria de ter escrito pelo menos um livro na vida. O livro possui uma aura de respeito, de importância que nenhuma tecnologia atual conseguiu por enquanto substituir.

Curiosamente o livro enquanto objeto físico utiliza muito das tecnologias recentes sem perder sua característica de ser um objeto físico, de papel e que pode ser lido sem ligar numa rede elétrica.

Quanto ao conteúdo, os livros foram transpostos para aparelhos de leitura para aqueles que possuem muitas obras e desejam armazenar uma grande quantidade de informação num único e pequeno objeto.

Muitas obras importantes já foram escritas. O importante não é tudo que já foi escrito, mas ler aquilo que modificou internamente o leitor e o fez pensar de algum modo. Ainda que todos os habitantes do planeta escrevessem um único livro, ainda assim, ninguém conseguiria ler o livro que cada um escreveu.

Quantidade de livros lidos não significa qualidade. O importante é o acervo que conseguimos montar ao longo de nossas vidas. Mesmo que só tenhamos lido um único livro o mundo já está descoberto e desvendado em todos os seus mistérios. O importante é sabermos que nada sabemos, e que, aos poucos, os dias que passam são como folhas de uma nova página das nossas vidas. A leitura, a escrita e a vida são coisas únicas e subjetivas.

A seguir deixo dois vídeos do que considero o melhor canal literário até o dia da postagem deste post.

Carmem Lucia é bibliotecária e também é formada em letras. As suas leituras são substanciosas e com argumentos certeiro, capta a verdade de cada obra que lê. As suas resenhas são riquíssimas e recomendáveis para aqueles que querem aprender a fazer as suas.

Inicialmente queria deixar somente o vídeo dela falando sobre o livro Grande sertão: veredas, mas depois ao assistir o vídeo em que ela fala do Banquete, de Platão, achei que esses dois livros podem ser estudados comparativamente, na minha opinião parece haver uma relação entre a obra de Guimarães Rosa e a de Platão e certamente entre várias outras também.

 

Fãs do impossível

Então chegou a hora de falar sobre o que é um fanzine. A seguir deixo alguns vídeos que explicam o que é um fanzine e como fazer um.

 

Se você achou um tanto monótona a descrição contida na Wikipédia deixo aqui o link da descrição sobre o que é um fanzine feita pela Desciclopédia.

Visto que agora já sabemos tudo sobre fanzine e sabemos até mesmo fazer um, vamos ao significado da palavra marginal.

marginal

Antes de terminar quero mostrar o apresentar o significado de Poesia Marginal.

Poesia Marginal

A Poesia Marginal, também conhecida como Geração Mimeógrafo, foi um importante movimento literário representado por nomes como Paulo Leminski e Torquato Neto.

Paulo Leminski, Ana Cristina César e Torquato Neto estão entre os principais representantes da Poesia Marginal ou Geração Mimeógrafo*Paulo Leminski, Ana Cristina César e Torquato Neto estão entre os principais representantes da Poesia Marginal ou Geração Mimeógrafo*.

Geração Mimeógrafo*:

A geração mimeógrafo (também denominado movimento Alissara) foi um movimento, ou fenômeno sociocultural [1] brasileiro que ocorreu imediatamente após a Tropicália, durante a década de 1970, em função da censura imposta pela ditadura militar[2], que levou intelectuais, professores universitários, poetas e artistas em geral, em todo o país, a buscarem meios alternativos de difusão cultural, notadamente o mimeógrafo, tecnologia mais acessível na época. Da tecnologia mais usada vem o seu nome.[3]

Sua produção literária não foi aceita por grandes editoras, pelo menos até 1975, quando a editora Brasiliense publicou o livro “26 Poetas Hoje”. Por estar à margem do circuito editorial estabelecido, sua poesia foi denominada poesia marginal. A produção artística desta geração igualmente não circulava em tradicionais galerias. A geração mimeógrafo também se expressou através da música, do cinema e da dramaturgia, sendo a sua produção poética a mais lembrada, possivelmente por ser aquela produção mais adequada às restrições de suporte impostas pela página mimeografada. As outras artes podiam ser divulgadas, porém não poderíamos ouvir uma canção ou ver um filme em um pequeno jornal ou revista mimeografados, ou fotocopiados[4].

Hélio Oiticica criou a célebre frase que sintetizaria a cultura marginal dos anos 1970

Um dos principais nomes da Poesia Marginal, Paulo Leminski nasceu em Curitiba no dia 24 de agosto de 1944 e faleceu no dia 07 de junho de 1989.

Ana Cristina Cesar, poeta e tradutora, nasceu no Rio de Janeiro no dia 02 de junho de 1952. Faleceu no dia 29 de outubro de 1983 aos 31 anos.

E para terminar um vídeo que fala um pouco sobre o que é a Poesia Marginal:

Só o impossível acontece. O possível apenas se repete, se repete, se repete. Chacal

Então é isso. São essas ideias de poesia marginal que me inspiraram para criar o nome desse blog e chamá-lo de Fanzine Marginal. Ainda não é um blog que fala fortemente como um fanzine, mas conforme vou absorvendo as ideias, ideais e conceitos da Poesia Marginal e também do Fanzine, com o tempo quem sabe o blog esteja cada vez mais à margem?

Lendo a eterna mudança

Navegando pela rede social que menos gosto no mundo, de todos os tempos: o Facebook, encontrei a imagem da página de um livro da Clarice Lispector.

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Ela parece escrever com o pensamento. Ela parece que está sempre à la Sócrates.

Aí resolvi escrever um pouquinho. Será que se cada um de nós não criarmos nossa própria editora ninguém nos lerá? Porque parece que para ser lido é preciso estar nos livros do Ensino médio. E até mesmo se você escrever uma vírgula fora do lugar, você será perdoado pela tal da licença poética, a tal licença que coloca os erros de uma má revisão e diagramação das editoras nas bocas de autores mortos. Hoje estou sem paciência com coisas de consumismo.

Nunca vi tanta gente lendo tantos livros e nunca vi tanto consumo inútil. Se é preciso criar um canal e fazer resenhas de livros só pra mostrar que você leu, então eu queria criar um canal no You Tube só pra falar do que nunca vou ler nem que (e somente talvez assim) me oferecessem um trilhão de Dólares.

Eu gosto de ler e comentar com as pessoas do meu lado. Não me interessaria comentários em canais ou em redes sociais. O importante é lermos mais o que há nas bibliotecas públicas, nos sebos, nos nossos sebos dentro de nossas próprias casas.

Editoras tão antigas quanto os próprios livros e autores que parecem renascer sempre que folheamos as páginas encardidas de poeiras e outros bichinhos que perambulam pelas páginas de um amontoado de papéis jogados num lugar qualquer de uma casa são um mundo desconhecido de novas histórias prontas para serem descobertas.

Um livro, que tantos “booktubers” de hoje em dia dizem ler ou terem lido não passa de uma lata de palavras tão artificial quanto um remédio tarja preta. Observo até quem dá dicas e fórmulas para criação de contos, por exemplo. Tudo bem. Mas chamar essas coisas de cultura num país onde as pessoas talvez assistam muito mais canais de resenhas do que vão aos museus e bibliotecas, ou pior ainda, nem mesmo possuem esse costume, aí sim é fato de preocupação. Certas pessoas não perceberam que a cada livro que leem suas cabeças estão se esvaziando em trilogias sem “logias” nenhuma.

Queria pensar em dizer algo do tipo “quando escrever, ou se eu escrever um livro, vou guardá-lo para que ele nunca seja vendido por nenhuma editora a não ser a minha.” Aí quero ver. Já pensou se um dia eu escrevo um ou alguém lançado pela minha editora consegue com apenas um único livro uma quantidade maior de vendas do que tudo que as grandes livrarias e editoras já teriam conseguido vender? O problema é que tudo acaba em comércio e não em afeto pelo livro como objeto artístico como quase se fosse um bichinho de estimação.

Pensei que arte fosse apreciar tudo o que é belo. Depois aprendi que arte é tudo, inclusive o que não tem forma. O que possui uma forma definida é uma estátua. Por isso Deus nos deu o dom de sermos sempre diferentes e mudarmos imperceptivelmente a todo instante.

Até uma estátua muda. Seus átomos estão se desprendendo, e um dia o que antes era uma estátua rígida será no fim de longo tempo apenas pó. Somos criações artísticas divina. Assim, temos o mesmo dom de quem teria nos criado e a natureza seria um deus que talvez faça arte enquanto a gente brinca de criar arte.

Fico imaginando as histórias por detrás de um livro com uma página rasgada. Será que teria sido alguém que precisou anotar alguma coisa importante e por isso teria rasgado a página do livro? Será que foi alguma criança? E um número de telefone anotado no final do livro com tinta azul quase já esmaecida? Será que a pessoa dona do número vai atender se ligarmos para ela? Nem sabemos que com o tempo passamos a fazer parte de nossos próprios livros mesmo que nem mesmo os tenhamos escrito.

“Não, nunca fui moderna. E acontece o seguinte: quando estranho uma pintura é aí que é pintura. E quando estranho a palavra aí é que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida.”

Devemos ler além do que está escrito.

 

 

Literatura em movimento

Muito mais do que só para entreter a literatura também é uma forma de conhecimento. Digo isso por acreditar que muitos esquecem desse pequeno detalhe. Que a ficção seria uma espécie de pacto entre escritor e leitor de que o que está escrito não é real e ainda que seja, ninguém duvida, mas quando mencionamos a Literatura como ciência, com L maiúsculo, aí a história é bem diferente.

Hoje vou deixar aqui um vídeo de um canal que estou adorando acompanhar. O Abstração Coletiva. A seguir deixo um vídeo da autora do canal falando sobre o livro Cobra Norato, de Raul Bopp.

Sobre a autora do canal, não consegui muitas informações, mas vale a pena conferir. Ela fala super bem no vídeo e fala do começo ao fim calminha, sem cortes de edição dando informações relevantes sobre a leitura do livro e a resenha feita por ela flui naturalmente.