Abissal

Começar a escrever é como existir em vários lugares ao mesmo tempo. Nunca estive em tantos lugares quanto aquele, e só aquele livro bom, pode me levar. Pode ser o coração, a razão, só um breve pensamento … A verdade, é ela, que não me sai da cabeça, sigo em sua busca sem alcançar, nem palpar nada … Apenas sinto o progresso lento de alguém a meditar sob o topo do Kilimanjaro sob o topo do Himalaia e a imaginar saltar dessas alturas e sentir a sensação real de voar e aterrissar num jardim edênico cheio de maravilhas.

O perfume das flores emanado cada vez que penso, as aquarelas siderais de estrelas, o raio energético correndo nas veias luminosas d’alma como o prisma que transfere suas cores n’água e sem contar já sei serem sete as cores de beleza pura e natural. Sete vezes eu poderia criar o big bang, a criação, mas nunca poderia criar a revelação no olhar como tampouco o sentir estar, bem como o não estar sentindo, o existir por pensar e o pensar por existir.

Nós não existimos, emanamos essências do momento inicial. Assim a vida é uma explosão, o coração repete, bombeando nosso sangue, o momento da criação. A criação pulsa em nós. Só, nem mesmo assim sinto solidão. Acompanhado, me sinto só, por saber  que por vezes estou próximo daqueles que estão como antenas a transmitir mensagens para si; em cada mente e coração humanos vibram frequências tão mais subterrâneas quanto as lavas de vulcões ou as mais profundas regiões desconhecidas do nosso planeta Terra.

Imagem de Bali, Indonesia, by Bernard Hermant on Unsplash.

Anúncios

Algumas dicas de desleitura

Quando falo as pessoas nada dizem e calado elas não existem.

Por Blog Fanzine Marginal

Antes de começar quero dizer. Quero dizer que quero desdizer e dizer que uma leitura nunca termina com a última página, muito menos com desfecho da história. Um livro, ainda que inacabado, estará completo em toda sua estrutura orgânica pra passar a mensagem desejada.

Dica número um: leia de tudo. Gostar de ler tudo é complicado, mas ao longo de uma vida uma pessoa adulta já sabe do que gosta de ler e pode se conhecer tão bem como leitor a ponto de saber os seus próprios limites “sobre o que ler de tudo”  possa significar pra si.

Dica número dois: ler pouco, mas com total compreensão do que se lê é fundamental.

Dica número três: saiba buscar a essência de cada obra lida. Saber identificar referencias e paródias entre outras obras podem e serão percebidas pelo leitor que aos poucos aprende que um livro já lido pode ter semelhança com outros. Enfim, cruzar informações entre obras literárias é um bom exercício pra quem gosta de ler e escrever.

Dica número quatro: um livro nunca está acabado com o fim da leitura ou porque a obra em si não foi terminada pelo autor. Muita vez um livro inacabado, como O Processo, de Kafka pode ser o resultado de toda uma vida. A materialização das hipóteses e teses de uma vida podem ganhar os moldes literários com o motivo que só quem escreve sabe o que sente e sabe que necessita dizer quase como um desabafo, uma denúncia, como uma ciência de fatos históricos ainda por vir e que só um autor de sensibilidade pode transformar em artefato artístico.

Dica número cinco: tente se perguntar sempre se você realmente entendeu o que leu, pois quem escreveu viveu sua escrita e elaboração do próprio texto literário que criou.

A seguir deixo um vídeo da Carmem Lúcia, do blog O que vi do mundo falando sobre Franz Kafka.

Nadar com outra força

Vencer desafios, superar medos, ou apenas desabafar com palavras as ideias que querem sair pra fora. Seja qual for o motivo que te inspira, use com intensidade máxima.

Hoje o blogue Fanzine Marginal completa 1 ano. Aqui coloco as imagens como forma de soltar as minhas ideias. Talvez a maioria nem ligue pro que eu escreva e só olhem rapidamente as imagens, mas ainda assim eu me jogo.

Há quem me chame (eu, o autor do blogue) de Franzine, e aqueles que fazem maravilhosas resenhas em seus blogues, só  não posso falar muito dos que acompanham o blogue por falta de comentários por aqui. Enfim, aqui falo do que gosto e falo do que eu quiser.

Muito obrigado a todos que curtem o Fanzine Marginal. Aqui o lema é “onde há regras, devemos recriá-las e fazermos as devidas alterações”. Por exemplo, A Constituição brasileira é um conto de fadas e o livro que conta a história de Pinóquio poderia ter se baseado na vida real por narrar a fabula da vida política brasileira.

***

Se presenteie. Crie mecanismos pra presentear sua produtividade. Isso pode te tornar mais produtivo e independente.

 

Nós somos luz. Devemos brilhar com as nossas ideias.

Somos um templo sagrado feito por amor. Enquanto muitos dizem morrer de amor, em outras regiões umbralinas, onde muitos gritam durante o período que estão na erraticidade, “pelo amor de deus, eu quero nascer”.

Ainda vivemos num mundo que só valoriza a competição por não percebermos que todos são vitoriosos.

Devemos nadar com força, mas com outra corrente, a do amor. Cada elo faz parte dessa correnteza. Devemos nadar contra a força pra alcançarmos o seu lado humano. Sem Guerra nas Estrelas ou Mágico de Oz, o importante é que o homem de lata saiba que o robô faz parte de um mesmo sonho, de uma mesma hipótese, que é a de tornar um mundo possível segundo uma narrativa.

Entre aquarelas, muitos gizes de cera, giz de sonhos e grafites de amor, de mina infinita, tento escrever o que não consigo tornar imagem. Seja um pensamento de Virginia Woolf, Clarice Lispector, Luiz de Camões, Castro Alves, Platão, Sócrates e muitos outros que possuem a ideia de Literatura com L maiúscula,  que é também o L da Liberdade, que rima com felicidade, que me faz querer citar Spinoza e Izaac Newton, assim, o que pretendo é criar um novo material pra dizer o indizível e, pra isso é preciso certa dose de sensibilidade e nervos de aço.

Até brinco pensando em aconselhar as pessoas a não fazerem o que faço é só pra profissionais, eu diria. Mas me perguntariam “e a liberdade de expressão, Rômulo?” Eu responderia: ora,  ela é tão livre que ainda não encontrou idioma mais eficaz do que a imagem; igual a ela só a matemática, a música e o amor.

Ouvir Estrelas

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo? ”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas”.

 Poema de Olavo Bilac.
Pra mim a imagem fala, entoa sublimes cânticos e paira ante o caos reordenando-o e ampliando aspectos e emoções que ainda nem conhecemos.
Permita que pensamentos novos aconteçam.
Reserve um tempo pra refletir e multiplicar-se.
Viva as suas ideias e anote-as.
Lembre-se que a maré da vida sempre traz aquilo que você fez ou que você ainda faz.
Um ano de muita arte, reflexões e bons sentimentos a todos!
Capturar

As indefiníveis certezas

Queria explicar-me aos homens primeiramente. Na verdade é melhor  que nos expliquemos a nós mesmos para que assim saibamos que a verdade está conosco. Dizer-nos e explicar-nos e tarefa difícil. Só nós sabemos o que somos e darmos satisfação de nós, sobre nós e algo tão impossível quanto querer abrir uma janela o olhar o futuro, depois-fechá-la e nos retirarmos para o conforto de um mundo fechado e dizer na paz de um silencio aterradoramente solitário: ele, o futuro está lá, me esperando.

Queria explicar-me com facilidade. Com aquela facilidade que como as coisas são. Ainda nem decifrei-me e ainda tento, ainda tentamos, todos nós, decifrar-nos. Dizer a verdade do papel do personagem da vida real é tão difícil. Apenas sei sou, sabemos que apenas somos. Sou como os outros? Somos os outros? Somos como os outros? Somos como os outros dos outros?

Com que palavras poderíamos dizer-nos com verdade quem somos? Quais palavras definiriam o que somos? Será melhor nem definir? Indefinir, talvez seja bom? Assim, conosco estaria  em nós a busca por ser, essa sim seria uma definição não limitante.

O mundo que pode ser lido

Atualmente vivemos numa explosão de publicações de livros de todos os tipos. Muitos autores, muitas editoras e provavelmente, porém, nenhum novo clássico.

Quantidade não significa qualidade, mas todo mundo gostaria de ter escrito pelo menos um livro na vida. O livro possui uma aura de respeito, de importância que nenhuma tecnologia atual conseguiu por enquanto substituir.

Curiosamente o livro enquanto objeto físico utiliza muito das tecnologias recentes sem perder sua característica de ser um objeto físico, de papel e que pode ser lido sem ligar numa rede elétrica.

Quanto ao conteúdo, os livros foram transpostos para aparelhos de leitura para aqueles que possuem muitas obras e desejam armazenar uma grande quantidade de informação num único e pequeno objeto.

Muitas obras importantes já foram escritas. O importante não é tudo que já foi escrito, mas ler aquilo que modificou internamente o leitor e o fez pensar de algum modo. Ainda que todos os habitantes do planeta escrevessem um único livro, ainda assim, ninguém conseguiria ler o livro que cada um escreveu.

Quantidade de livros lidos não significa qualidade. O importante é o acervo que conseguimos montar ao longo de nossas vidas. Mesmo que só tenhamos lido um único livro o mundo já está descoberto e desvendado em todos os seus mistérios. O importante é sabermos que nada sabemos, e que, aos poucos, os dias que passam são como folhas de uma nova página das nossas vidas. A leitura, a escrita e a vida são coisas únicas e subjetivas.

A seguir deixo dois vídeos do que considero o melhor canal literário até o dia da postagem deste post.

Carmem Lucia é bibliotecária e também é formada em letras. As suas leituras são substanciosas e com argumentos certeiro, capta a verdade de cada obra que lê. As suas resenhas são riquíssimas e recomendáveis para aqueles que querem aprender a fazer as suas.

Inicialmente queria deixar somente o vídeo dela falando sobre o livro Grande sertão: veredas, mas depois ao assistir o vídeo em que ela fala do Banquete, de Platão, achei que esses dois livros podem ser estudados comparativamente, na minha opinião parece haver uma relação entre a obra de Guimarães Rosa e a de Platão e certamente entre várias outras também.

 

Fãs do impossível

Então chegou a hora de falar sobre o que é um fanzine. A seguir deixo alguns vídeos que explicam o que é um fanzine e como fazer um.

 

Se você achou um tanto monótona a descrição contida na Wikipédia deixo aqui o link da descrição sobre o que é um fanzine feita pela Desciclopédia.

Visto que agora já sabemos tudo sobre fanzine e sabemos até mesmo fazer um, vamos ao significado da palavra marginal.

marginal

Antes de terminar quero mostrar o apresentar o significado de Poesia Marginal.

Poesia Marginal

A Poesia Marginal, também conhecida como Geração Mimeógrafo, foi um importante movimento literário representado por nomes como Paulo Leminski e Torquato Neto.

Paulo Leminski, Ana Cristina César e Torquato Neto estão entre os principais representantes da Poesia Marginal ou Geração Mimeógrafo*Paulo Leminski, Ana Cristina César e Torquato Neto estão entre os principais representantes da Poesia Marginal ou Geração Mimeógrafo*.

Geração Mimeógrafo*:

A geração mimeógrafo (também denominado movimento Alissara) foi um movimento, ou fenômeno sociocultural [1] brasileiro que ocorreu imediatamente após a Tropicália, durante a década de 1970, em função da censura imposta pela ditadura militar[2], que levou intelectuais, professores universitários, poetas e artistas em geral, em todo o país, a buscarem meios alternativos de difusão cultural, notadamente o mimeógrafo, tecnologia mais acessível na época. Da tecnologia mais usada vem o seu nome.[3]

Sua produção literária não foi aceita por grandes editoras, pelo menos até 1975, quando a editora Brasiliense publicou o livro “26 Poetas Hoje”. Por estar à margem do circuito editorial estabelecido, sua poesia foi denominada poesia marginal. A produção artística desta geração igualmente não circulava em tradicionais galerias. A geração mimeógrafo também se expressou através da música, do cinema e da dramaturgia, sendo a sua produção poética a mais lembrada, possivelmente por ser aquela produção mais adequada às restrições de suporte impostas pela página mimeografada. As outras artes podiam ser divulgadas, porém não poderíamos ouvir uma canção ou ver um filme em um pequeno jornal ou revista mimeografados, ou fotocopiados[4].

Hélio Oiticica criou a célebre frase que sintetizaria a cultura marginal dos anos 1970

Um dos principais nomes da Poesia Marginal, Paulo Leminski nasceu em Curitiba no dia 24 de agosto de 1944 e faleceu no dia 07 de junho de 1989.

Ana Cristina Cesar, poeta e tradutora, nasceu no Rio de Janeiro no dia 02 de junho de 1952. Faleceu no dia 29 de outubro de 1983 aos 31 anos.

E para terminar um vídeo que fala um pouco sobre o que é a Poesia Marginal:

Só o impossível acontece. O possível apenas se repete, se repete, se repete. Chacal

Então é isso. São essas ideias de poesia marginal que me inspiraram para criar o nome desse blog e chamá-lo de Fanzine Marginal. Ainda não é um blog que fala fortemente como um fanzine, mas conforme vou absorvendo as ideias, ideais e conceitos da Poesia Marginal e também do Fanzine, com o tempo quem sabe o blog esteja cada vez mais à margem?

Lendo a eterna mudança

Navegando pela rede social que menos gosto no mundo, de todos os tempos: o Facebook, encontrei a imagem da página de um livro da Clarice Lispector.

22289782_1526498530749497_8069954724177252219_o

Ela parece escrever com o pensamento. Ela parece que está sempre à la Sócrates.

Aí resolvi escrever um pouquinho. Será que se cada um de nós não criarmos nossa própria editora ninguém nos lerá? Porque parece que para ser lido é preciso estar nos livros do Ensino médio. E até mesmo se você escrever uma vírgula fora do lugar, você será perdoado pela tal da licença poética, a tal licença que coloca os erros de uma má revisão e diagramação das editoras nas bocas de autores mortos. Hoje estou sem paciência com coisas de consumismo.

Nunca vi tanta gente lendo tantos livros e nunca vi tanto consumo inútil. Se é preciso criar um canal e fazer resenhas de livros só pra mostrar que você leu, então eu queria criar um canal no You Tube só pra falar do que nunca vou ler nem que (e somente talvez assim) me oferecessem um trilhão de Dólares.

Eu gosto de ler e comentar com as pessoas do meu lado. Não me interessaria comentários em canais ou em redes sociais. O importante é lermos mais o que há nas bibliotecas públicas, nos sebos, nos nossos sebos dentro de nossas próprias casas.

Editoras tão antigas quanto os próprios livros e autores que parecem renascer sempre que folheamos as páginas encardidas de poeiras e outros bichinhos que perambulam pelas páginas de um amontoado de papéis jogados num lugar qualquer de uma casa são um mundo desconhecido de novas histórias prontas para serem descobertas.

Um livro, que tantos “booktubers” de hoje em dia dizem ler ou terem lido não passa de uma lata de palavras tão artificial quanto um remédio tarja preta. Observo até quem dá dicas e fórmulas para criação de contos, por exemplo. Tudo bem. Mas chamar essas coisas de cultura num país onde as pessoas talvez assistam muito mais canais de resenhas do que vão aos museus e bibliotecas, ou pior ainda, nem mesmo possuem esse costume, aí sim é fato de preocupação. Certas pessoas não perceberam que a cada livro que leem suas cabeças estão se esvaziando em trilogias sem “logias” nenhuma.

Queria pensar em dizer algo do tipo “quando escrever, ou se eu escrever um livro, vou guardá-lo para que ele nunca seja vendido por nenhuma editora a não ser a minha.” Aí quero ver. Já pensou se um dia eu escrevo um ou alguém lançado pela minha editora consegue com apenas um único livro uma quantidade maior de vendas do que tudo que as grandes livrarias e editoras já teriam conseguido vender? O problema é que tudo acaba em comércio e não em afeto pelo livro como objeto artístico como quase se fosse um bichinho de estimação.

Pensei que arte fosse apreciar tudo o que é belo. Depois aprendi que arte é tudo, inclusive o que não tem forma. O que possui uma forma definida é uma estátua. Por isso Deus nos deu o dom de sermos sempre diferentes e mudarmos imperceptivelmente a todo instante.

Até uma estátua muda. Seus átomos estão se desprendendo, e um dia o que antes era uma estátua rígida será no fim de longo tempo apenas pó. Somos criações artísticas divina. Assim, temos o mesmo dom de quem teria nos criado e a natureza seria um deus que talvez faça arte enquanto a gente brinca de criar arte.

Fico imaginando as histórias por detrás de um livro com uma página rasgada. Será que teria sido alguém que precisou anotar alguma coisa importante e por isso teria rasgado a página do livro? Será que foi alguma criança? E um número de telefone anotado no final do livro com tinta azul quase já esmaecida? Será que a pessoa dona do número vai atender se ligarmos para ela? Nem sabemos que com o tempo passamos a fazer parte de nossos próprios livros mesmo que nem mesmo os tenhamos escrito.

“Não, nunca fui moderna. E acontece o seguinte: quando estranho uma pintura é aí que é pintura. E quando estranho a palavra aí é que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida.”

Devemos ler além do que está escrito.