Tinha uma página no meio do caminho

Sempre tive vontade de falar sobre os livros que leio. Então resolvi dedicar um blogue somente a isso. No Livrolescente falarei  das minhas leituras bem do meu jeito, afinal são minhas leituras e já tenho em mente como fazer. Espero que fique bom.

Falta agora ler bastante e terminar muitos livros que comecei a ler e não terminei. Não sou bom em resenhar, acredito que nunca resenhei, mas vou tentar mesmo assim. Vejo vocês por lá! Nas próximas semanas já começo a postar as “resenhas”.

Anúncios

Lendo a eterna mudança

Navegando pela rede social que menos gosto no mundo, de todos os tempos: o Facebook, encontrei a imagem da página de um livro da Clarice Lispector.

22289782_1526498530749497_8069954724177252219_o

Ela parece escrever com o pensamento. Ela parece que está sempre à la Sócrates.

Aí resolvi escrever um pouquinho. Será que se cada um de nós não criarmos nossa própria editora ninguém nos lerá? Porque parece que para ser lido é preciso estar nos livros do Ensino médio. E até mesmo se você escrever uma vírgula fora do lugar, você será perdoado pela tal da licença poética, a tal licença que coloca os erros de uma má revisão e diagramação das editoras nas bocas de autores mortos. Hoje estou sem paciência com coisas de consumismo.

Nunca vi tanta gente lendo tantos livros e nunca vi tanto consumo inútil. Se é preciso criar um canal e fazer resenhas de livros só pra mostrar que você leu, então eu queria criar um canal no You Tube só pra falar do que nunca vou ler nem que (e somente talvez assim) me oferecessem um trilhão de Dólares.

Eu gosto de ler e comentar com as pessoas do meu lado. Não me interessaria comentários em canais ou em redes sociais. O importante é lermos mais o que há nas bibliotecas públicas, nos sebos, nos nossos sebos dentro de nossas próprias casas.

Editoras tão antigas quanto os próprios livros e autores que parecem renascer sempre que folheamos as páginas encardidas de poeiras e outros bichinhos que perambulam pelas páginas de um amontoado de papéis jogados num lugar qualquer de uma casa são um mundo desconhecido de novas histórias prontas para serem descobertas.

Um livro, que tantos “booktubers” de hoje em dia dizem ler ou terem lido não passa de uma lata de palavras tão artificial quanto um remédio tarja preta. Observo até quem dá dicas e fórmulas para criação de contos, por exemplo. Tudo bem. Mas chamar essas coisas de cultura num país onde as pessoas talvez assistam muito mais canais de resenhas do que vão aos museus e bibliotecas, ou pior ainda, nem mesmo possuem esse costume, aí sim é fato de preocupação. Certas pessoas não perceberam que a cada livro que leem suas cabeças estão se esvaziando em trilogias sem “logias” nenhuma.

Queria pensar em dizer algo do tipo “quando escrever, ou se eu escrever um livro, vou guardá-lo para que ele nunca seja vendido por nenhuma editora a não ser a minha.” Aí quero ver. Já pensou se um dia eu escrevo um ou alguém lançado pela minha editora consegue com apenas um único livro uma quantidade maior de vendas do que tudo que as grandes livrarias e editoras já teriam conseguido vender? O problema é que tudo acaba em comércio e não em afeto pelo livro como objeto artístico como quase se fosse um bichinho de estimação.

Pensei que arte fosse apreciar tudo o que é belo. Depois aprendi que arte é tudo, inclusive o que não tem forma. O que possui uma forma definida é uma estátua. Por isso Deus nos deu o dom de sermos sempre diferentes e mudarmos imperceptivelmente a todo instante.

Até uma estátua muda. Seus átomos estão se desprendendo, e um dia o que antes era uma estátua rígida será no fim de longo tempo apenas pó. Somos criações artísticas divina. Assim, temos o mesmo dom de quem teria nos criado e a natureza seria um deus que talvez faça arte enquanto a gente brinca de criar arte.

Fico imaginando as histórias por detrás de um livro com uma página rasgada. Será que teria sido alguém que precisou anotar alguma coisa importante e por isso teria rasgado a página do livro? Será que foi alguma criança? E um número de telefone anotado no final do livro com tinta azul quase já esmaecida? Será que a pessoa dona do número vai atender se ligarmos para ela? Nem sabemos que com o tempo passamos a fazer parte de nossos próprios livros mesmo que nem mesmo os tenhamos escrito.

“Não, nunca fui moderna. E acontece o seguinte: quando estranho uma pintura é aí que é pintura. E quando estranho a palavra aí é que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida.”

Devemos ler além do que está escrito.

 

 

Discos de papel

O que há com o mundo hoje dia? Por que será que quanto mais tecnologia, mais desinteressante se tornam os objetos criados através dela? Quanto tempo vai demorar pra descobrirem que tudo não passa de “um museu de grandes novidades” como Cazuza cantava.

O museu das grandes novidades derrotou o disco de vinil e tornou um objeto tão interessante pra colocar outro que na verdade nem existe como o caso do itunes. Comprar uma única música ou várias é bem diferente de perceber todo o trabalho de um disco físico bem produzido. Claro que não falo do formato dos CDs, mas do vinil. Insubstituível, acredito que é possível perceber detalhes que só o som do  também chamado LP (Long Play) proporciona.

Como exemplo darei que o som de um violão é bem diferente do de um produzido por um sintetizador. A voz humana também é um instrumento e percebemos que ainda não inventaram nada melhor, no caso daqueles que cantam bem, do que a nossa voz natural.

Então, observo a Bienal do Livro num país que está no ranking “negativo”, ou melhor  (pior) dizendo num país que está entre os últimos na ranking da educação. Brasileiro lê? Brasileiro na verdade consome. E paga caro por livros ruins. Como tudo que evoluiu com a tecnologia, o livro se tornou um objeto produzido com o que a tecnologia atual pode oferecer de melhor, mas o conteúdo, os escritores, a grande quantidade de editoras que existe atualmente não nos permite nem o folego necessário pra assimilarmos tanta informação pra podermos dar algum tipo de avaliação.

O disco de vinil permitia quase uma aproximação física com os fãs. O formato digital de uma música não permite nada, apenas que você possa pagar. Comprar um livro indo numa bienal não é tão diferente de irmos numa livraria dessas qualquer e você poderia até mesmo se enganar ao entrar pra fazer um lanche pensando ter entrado numa rede de fast food famosa quando na verdade você entrou numa livraria, pois são tão parecidas as fachadas de tais lugares que as cores e logotipos mudam pouquíssimo.

Dependendo do horário que vamos na Bienal do Livro como a que acaba de acontecer nessa semana aqui no Rio de Janeiro, podemos encontrar com o nosso autor preferido após enfrentar suave fila. Enquanto isso, no YouTube (que mudou também um pouco o seu logotipo nessa semana), assisto ao vídeo de uma simpática “booktuber” falando dos livros que as editoras enviam pra ela. A quantidade enorme de livros que vi as editoras enviarem não só pra ela, mas pra vários outros youtubers é incrível, “eu também quero”, disse surpreendido com o que vi. Queria saber como faço pra receber essas coisas.

Então só pra resumir, fico com a impressão de que se eu for numa dessas livrarias vou poder estar comprando um livro que alguém recebeu em casa enviado pela própria editora e, muitas vezes com alguns brindes que não ganhamos quando compramos numa livraria física. Esse mundo é estranho mesmo. Muito engraçado, mas não. A seguir deixo um vídeo, pelo menos é grátis a vitrine. Observação: não tenho nada contra a YouTuber do vídeo, deixo o vídeo apenas como exemplo recente, pelo menos pra exemplificar a questão dos livros; adoro o canal dela e de outros que também assisto.

Só pra terminar, no caso dos discos de vinil, vale lembrar que nesse mês irá acontecer aqui no Rio de Janeiro o Rock in Rio, deixo essa informação só pra lembrar quem quiser ir ou quem sabe ter um show enviado gratuitamente por alguém pra sua casa, já pensou que legal?