Aleatório

Em algum lugar estarei, em algum lugar estaremos, pra algum sem-norte ou sem direção vamos ou iremos, enfim não sabemos. Se digo que vou, vou só com palavras, me despenco do abismo do tempo e caio em lugares  que não se pode compreender sem que estejamos munidos do vazio.

Que pensar em ir já é num só tempo estar lá? Que sentir é apenas a negação, uma barreira que nos impõe asas e mais imaginação pra sermos do que o próprio fato de aceitarmos o fato de que já somos algo mesmo antes de pensarmos em querermos ser algo.

Restam dúvidas no mundo porque não se contorcem com o seu todo de dentro. O todo de dentro de todos está cada vez mais oco. Não falam, não comunicam uns com outros, e tudo é confusão. Não descobriram que falar é falar mesmo não falando e, até mesmo se não estamos falando, não estamos falando, oras bolas.

Descobriram o óbvio: estamos solitários no universo, por isso preenchem o mundo, o nosso planeta com bilhões de pessoas solitárias pra que a solidão se torne ainda maior. Se pudessem entender que há uma música e uma dança, que a fala é já a necessidade sendo suprida e que todos os excessos são o desperdício do vazio sagrado que sentimos e nos impõe querermos o outro ao lado, não distante mesmo que assim pareça.

 

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Diálogos com a noite

Não é sobre religião que vou falar. Também não falarei sobre política ou times de futebol. Falarei sobre aquilo que verdadeiramente importa. E o que realmente importa é sabermos que interesses pequenos se perdem na imensidão noturna que navegamos sem perceber que somos levados para qualquer lugar.

Todos os caminhos levam a Deus. Se alguém está triste, solitário ou infeliz será aí nesses sentimentos que O encontraremos porque assim se faz necessário algumas vezes na vida das pessoas.

A felicidade é só uma e pode ser conseguida de diversas formas. Uma delas é não precisar de nada para conquistá-la.

Não há nada no mundo que Ele não saiba. Se pensa que pode esconder algo de alguém que criou tudo você está completamente enganado. Se somos a imagem e semelhança d’Ele, então sabemos que nem de nós podemos ocultar todos os nossos defeitos e problemas, pois ninguém progride sem antes passar por cada etapa necessária.

A nossa consciência nos apresentará nossa culpa em algum lugar dentro de nós como uma vós que começa a conversar conosco e, antes de nos acusar percebemos que ela está sempre a nos dizer que erramos e que sempre é tempo de corrigir o erro.

Recebemos o que damos e perdemos o que desperdiçamos. Cuidado com aquilo que faz mal ao outro pois vai retornar como um bumerangue lançado violentamente na direção de alguém específico, mas nem mesmo o toca e já estará voltando talvez com muito mais força para a própria pessoa que o lançou.

Enfim, a noite é apenas aparência e não percebemos que na verdade o que existe é sempre o dia e por isso Ele nunca dorme e vela por nosso sono.

Se não me expressei bem, deixo a seguir um vídeo que talvez explique um pouco melhor o que quis dizer com o texto acima.

Lendo a eterna mudança

Navegando pela rede social que menos gosto no mundo, de todos os tempos: o Facebook, encontrei a imagem da página de um livro da Clarice Lispector.

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Ela parece escrever com o pensamento. Ela parece que está sempre à la Sócrates.

Aí resolvi escrever um pouquinho. Será que se cada um de nós não criarmos nossa própria editora ninguém nos lerá? Porque parece que para ser lido é preciso estar nos livros do Ensino médio. E até mesmo se você escrever uma vírgula fora do lugar, você será perdoado pela tal da licença poética, a tal licença que coloca os erros de uma má revisão e diagramação das editoras nas bocas de autores mortos. Hoje estou sem paciência com coisas de consumismo.

Nunca vi tanta gente lendo tantos livros e nunca vi tanto consumo inútil. Se é preciso criar um canal e fazer resenhas de livros só pra mostrar que você leu, então eu queria criar um canal no You Tube só pra falar do que nunca vou ler nem que (e somente talvez assim) me oferecessem um trilhão de Dólares.

Eu gosto de ler e comentar com as pessoas do meu lado. Não me interessaria comentários em canais ou em redes sociais. O importante é lermos mais o que há nas bibliotecas públicas, nos sebos, nos nossos sebos dentro de nossas próprias casas.

Editoras tão antigas quanto os próprios livros e autores que parecem renascer sempre que folheamos as páginas encardidas de poeiras e outros bichinhos que perambulam pelas páginas de um amontoado de papéis jogados num lugar qualquer de uma casa são um mundo desconhecido de novas histórias prontas para serem descobertas.

Um livro, que tantos “booktubers” de hoje em dia dizem ler ou terem lido não passa de uma lata de palavras tão artificial quanto um remédio tarja preta. Observo até quem dá dicas e fórmulas para criação de contos, por exemplo. Tudo bem. Mas chamar essas coisas de cultura num país onde as pessoas talvez assistam muito mais canais de resenhas do que vão aos museus e bibliotecas, ou pior ainda, nem mesmo possuem esse costume, aí sim é fato de preocupação. Certas pessoas não perceberam que a cada livro que leem suas cabeças estão se esvaziando em trilogias sem “logias” nenhuma.

Queria pensar em dizer algo do tipo “quando escrever, ou se eu escrever um livro, vou guardá-lo para que ele nunca seja vendido por nenhuma editora a não ser a minha.” Aí quero ver. Já pensou se um dia eu escrevo um ou alguém lançado pela minha editora consegue com apenas um único livro uma quantidade maior de vendas do que tudo que as grandes livrarias e editoras já teriam conseguido vender? O problema é que tudo acaba em comércio e não em afeto pelo livro como objeto artístico como quase se fosse um bichinho de estimação.

Pensei que arte fosse apreciar tudo o que é belo. Depois aprendi que arte é tudo, inclusive o que não tem forma. O que possui uma forma definida é uma estátua. Por isso Deus nos deu o dom de sermos sempre diferentes e mudarmos imperceptivelmente a todo instante.

Até uma estátua muda. Seus átomos estão se desprendendo, e um dia o que antes era uma estátua rígida será no fim de longo tempo apenas pó. Somos criações artísticas divina. Assim, temos o mesmo dom de quem teria nos criado e a natureza seria um deus que talvez faça arte enquanto a gente brinca de criar arte.

Fico imaginando as histórias por detrás de um livro com uma página rasgada. Será que teria sido alguém que precisou anotar alguma coisa importante e por isso teria rasgado a página do livro? Será que foi alguma criança? E um número de telefone anotado no final do livro com tinta azul quase já esmaecida? Será que a pessoa dona do número vai atender se ligarmos para ela? Nem sabemos que com o tempo passamos a fazer parte de nossos próprios livros mesmo que nem mesmo os tenhamos escrito.

“Não, nunca fui moderna. E acontece o seguinte: quando estranho uma pintura é aí que é pintura. E quando estranho a palavra aí é que ela alcança o sentido. E quando estranho a vida aí é que começa a vida.”

Devemos ler além do que está escrito.

 

 

A sugestão como personagem

Por acaso criei uma pequena história partindo de uma imagem. A história ou conto, não  sei como poderia chamar o texto, pode ser lido aqui. Pedi para que os leitores do blog sugerissem uma continuidade para história. A Elaine Reis, do blog curioosamente deu a seguinte sugestão:

Imaginei Melinda com seus cabelos coloridos e tatuagens e piercings e acredito, com certeza, que só melhoraria o contexto se ela tivesse na bolsa livros de Beauvoir e Virgínia e Angela Davis e todas as feministas maravilhooooosas, afinal e pelo visto, essa tal bolsa de que vc gostou tanto, juntamente com o boné, te ajudarão em algumas aventuras. Sem falar que o protagonista sendo um homem feminista, provavelmente, seria um indicativo de alguém que compreende algumas bandeiras de luta e que estaria se esforçando pra ser alguém melhor e fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
Lerei os próximos capítulos, rsrsrsrs… Abraço

Então baixei o livro de Angela Davis, Mulheres, raça e classe e também Jane Austen, Razão e sensibilidade e Virginia Woolf, Mrs Dalloway, para tentar compreender o que são os fenômenos femininos que acontecem no mundo atual, mas entendendo também que se trata de um fato histórico.

Enfim vou ler dessas três autoras e tentar criar uma forma de escrever que una a forma de personagens, escrita e expressão para conseguir dizer o que foi proposto pela Elaine. Não tenho nenhum para ler mais de um livro ao mesmo tempo. Para mim é como ter várias vozes, várias mulheres, várias autoras e antes de tudo, seres humanos. Então continuo meu pedido deixem seus comentários, vou adorar!

No caso da sugestão da Elaine, não percebi detalhes sobre o que ela imaginou. Quero dizer que a imaginação dela criou algo ou interpretou algo que não disse explicitamente, mas ela assim entendeu. Isso é legal e me ajuda a perceber e ver como os leitores percebem um texto criado por nós. É uma brincadeira divertida participar da criação de um texto numa postura ativa e não meramente consumir o texto de um livro pronto.

O título do texto “Melinda” é ainda provisório e faz parte de um plano determinado que tenho para continuidade da história da mesma forma que a imagem das bolsas são fundamentais para o enredo e prosseguimento do texto, e, o fato de muitas pessoas fazerem sugestões para essa história não me deixaria perdido tentando agradar só a uma ou outra pessoa que deixou sua sugestão.