Abissal

Começar a escrever é como existir em vários lugares ao mesmo tempo. Nunca estive em tantos lugares quanto aquele, e só aquele livro bom, pode me levar. Pode ser o coração, a razão, só um breve pensamento … A verdade, é ela, que não me sai da cabeça, sigo em sua busca sem alcançar, nem palpar nada … Apenas sinto o progresso lento de alguém a meditar sob o topo do Kilimanjaro sob o topo do Himalaia e a imaginar saltar dessas alturas e sentir a sensação real de voar e aterrissar num jardim edênico cheio de maravilhas.

O perfume das flores emanado cada vez que penso, as aquarelas siderais de estrelas, o raio energético correndo nas veias luminosas d’alma como o prisma que transfere suas cores n’água e sem contar já sei serem sete as cores de beleza pura e natural. Sete vezes eu poderia criar o big bang, a criação, mas nunca poderia criar a revelação no olhar como tampouco o sentir estar, bem como o não estar sentindo, o existir por pensar e o pensar por existir.

Nós não existimos, emanamos essências do momento inicial. Assim a vida é uma explosão, o coração repete, bombeando nosso sangue, o momento da criação. A criação pulsa em nós. Só, nem mesmo assim sinto solidão. Acompanhado, me sinto só, por saber  que por vezes estou próximo daqueles que estão como antenas a transmitir mensagens para si; em cada mente e coração humanos vibram frequências tão mais subterrâneas quanto as lavas de vulcões ou as mais profundas regiões desconhecidas do nosso planeta Terra.

Imagem de Bali, Indonesia, by Bernard Hermant on Unsplash.

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Zen

O que poderei dizer no exato momento em que finalmente saberei tudo? Os inteligentes julgam os loucos, loucos, e, os loucos pensam que os inteligentes são os tiranos que os aprisionam. Ser louco é ter inteligência suficiente pra saber que ser inteligente é burrice. Como sempre deve suceder, abençoados os que nada sabem porque deles será o mundo sem véus.

Queria experimentar o sabor de uma vela aromática de baunilha. Queria que esse sabor fosse a minha paixão se espalhando pelo ambiente. Pois eu sou: chama; sou a chama que vive. Brilho que ilumina e deseja dar o melhor de si, o melhor de seu aroma, o melhor do seu sabor, o melhor de sua essência, enfim.

Sê como a luz, mas nunca esqueça de você quando ela não está em ti. Muito tempo atrás uma estrela surgiu. Ainda vemos sua luz, em pesar por um lado ela não existir mais, sua luz ainda chega até nós e segue adiante, por outro.

Penso no sorriso daqueles que se foram e ainda emitem suas luzes em mim.